A ex-ministra do Planejamento e Orçamento do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e candidata ao Senado por São Paulo, Simone Tebet (PSB), criticou a condução da segurança pública pelo governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos).
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Em entrevista a OVALE, ela apontou a área como uma das principais fragilidades da gestão estadual e citou o Vale do Paraíba como um dos principais pontos de tensão entre organizações criminosas.
A região é considerada uma das mais violentas do interior de São Paulo e, segundo o próprio Tarcísio, passou a ser palco de uma disputa territorial envolvendo facções criminosas com atuação no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Ao comentar a justificativa apresentada pelo governador Tarcísio de Freitas de que parte dos homicídios estaria relacionada à atuação de facções cariocas e ao confronto com o PCC (Primeiro Comando da Capital), Tebet afirmou concordar que o crime organizado ultrapassou as fronteiras estaduais.
“Eu concordo com o governador que hoje o crime é transnacional”, afirmou a candidata.
Para Tebet, organizações como o PCC e o CV (Comando Vermelho) deixaram de atuar apenas nos grandes centros urbanos e passaram a exercer influência também em cidades médias e pequenas.
“Quando a gente fala de organização criminosa, PCC e CV, nós estamos falando de organizações que tocam o terror não só nas grandes cidades, mas nas médias e nas pequenas cidades e não têm fronteira”, disse.
Apesar de concordar com o diagnóstico sobre a expansão das facções, a ex-ministra fez críticas à responsabilidade do governo paulista no enfrentamento da violência. Ela citou o ex-secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite (PP), atual deputado federal e aliado de Tarcísio, como um dos pontos de fragilidade da gestão. Derrite também é candidato ao Senado por São Paulo.
“Eu só vou responder porque você citou o candidato. Eu acho que essa é a grande fragilidade do Derrite. Ele foi secretário de Segurança Pública por três anos, estava no governo”, afirmou.
Segundo Tebet, embora o avanço das facções tenha dimensão nacional e até internacional, cabe aos governos estaduais atuar diretamente na prevenção e no combate à criminalidade dentro de seus territórios.
“A responsabilidade de segurança pública é do governo estadual”, afirmou.
Tebet defende integração contra facções
Na avaliação da candidata, o combate ao crime organizado exige uma atuação conjunta entre União, estados e municípios. Ela defendeu que os governadores deixem de lado disputas políticas e trabalhem de forma coordenada.
“Os governadores têm que entender, tirar as vaidades de lado”, disse Tebet.
Para ela, a resposta ao avanço das organizações criminosas precisa contar com a coordenação do governo federal, por meio de uma estrutura nacional dedicada à segurança pública.
“Somente com uma coordenação do presidente da República, através de um ministério, que é o Ministério da Segurança”, afirmou.
A declaração de Tebet reforça a defesa de uma política nacional de enfrentamento ao crime organizado, especialmente diante da expansão das facções para diferentes estados e da disputa por territórios estratégicos, como o Vale do Paraíba.
Disputa entre PCC e CV no Vale
O Vale do Paraíba tem ganhado destaque no debate sobre segurança pública por sua localização estratégica entre São Paulo e Rio de Janeiro. A região é cortada por importantes rodovias, como a Via Dutra, e serve como corredor de ligação entre os dois estados.
Nesse cenário, a atuação de grupos criminosos dos dois estados é apontada como um dos fatores que aumentam a pressão sobre as forças de segurança. A disputa por território e mercados ilegais pode refletir diretamente nos índices de homicídios e em outros crimes violentos.
Para Tebet, entretanto, o enfrentamento não pode ser limitado a uma resposta estadual. Na visão da candidata, a expansão das facções exige cooperação entre diferentes níveis de governo e até entre países.
“Isso passou a ser um problema transnacional, não é um só problema estadual, como é um problema do país e da América Latina como um todo”, afirmou.