CARAGUÁ

Justiça manda prender três guardas suspeitos de tortura em mulher

Por Jesse Nascimento | Caraguatatuba
| Tempo de leitura: 2 min
Da redação
Reprodução
Mulher teria sido agredida
Mulher teria sido agredida

A Justiça determinou a prisão temporária, por 30 dias, de três guardas civis municipais de Caraguatatuba investigados por suspeita de tortura contra uma mulher durante uma abordagem. A medida foi autorizada após pedido da Polícia Civil e manifestação favorável do Ministério Público de São Paulo.

Os agentes já haviam sido afastados preventivamente das funções pela Prefeitura de Caraguatatuba. O caso tramita sob segredo de Justiça.

A investigação começou após a divulgação, nas redes sociais, de um vídeo que registra parte da abordagem. Nas imagens, a mulher aparece conversando com um guarda municipal e participando de uma ligação telefônica. Após o término da chamada e uma interação entre o agente e a pessoa que estava ao telefone, ocorre uma agressão contra a moradora.

Segundo a apuração da Polícia Civil, os três guardas também teriam entrado na residência da mulher sem autorização judicial. O episódio passou a ser investigado sob suspeita de tortura física e psicológica.

Justiça aponta risco de interferência na investigação

Na decisão que autorizou as prisões temporárias, o juiz apontou que a permanência dos agentes em liberdade poderia prejudicar as investigações.

Entre os elementos considerados estão indícios de que os guardas poderiam usar a influência relacionada às funções que exerciam para interferir na apuração, além de suspeitas de tentativa de obtenção de depoimentos falsos e risco de intimidação da vítima.

A Justiça também considerou a possibilidade de interferência na produção e preservação das provas. Diante desses elementos, acolheu o pedido apresentado pela Polícia Civil, com parecer favorável do Ministério Público.

A prisão temporária tem prazo inicial de 30 dias e é uma medida cautelar utilizada durante a investigação. A determinação não representa condenação dos agentes. A eventual responsabilização criminal dependerá da conclusão do inquérito, de possível denúncia do Ministério Público e da análise da Justiça.

Guardas já estavam afastados pela Prefeitura

Antes da determinação das prisões, a Prefeitura de Caraguatatuba já havia afastado preventivamente os três agentes. Segundo informações divulgadas pela administração municipal no início da semana, dois deles ocupavam cargos comissionados e o terceiro era servidor efetivo.

A Secretaria Municipal de Segurança Pública e Mobilidade Urbana também instaurou uma sindicância para investigar a conduta dos servidores.

O procedimento administrativo ocorre de forma independente do inquérito conduzido pela Polícia Civil. Enquanto a sindicância apura eventual responsabilidade funcional dos agentes dentro da administração municipal, a investigação policial busca esclarecer possíveis responsabilidades criminais.

Em nota, a Prefeitura afirmou que não compactua com condutas irregulares praticadas por servidores públicos e que trata com seriedade denúncias envolvendo agentes municipais.

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