O transporte coletivo é um dos principais aliados na construção de cidades mais sustentáveis. Além de transportar milhares de pessoas diariamente, os ônibus contribuem para reduzir a emissão de poluentes e o uso excessivo do espaço urbano. No Brasil, os ônibus urbanos são responsáveis por apenas 0,68% das emissões totais de poluentes, enquanto os carros emitem, por passageiro, oito vezes mais poluição.
A sustentabilidade do transporte coletivo é um dos temas da campanha nacional “O Brasil é Coletivo”, lançada pela NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos) e apoiada, no Vale do Paraíba, pela Busvale - Associação das Empresas de Transporte de Passageiros do Vale do Paraíba.
A iniciativa busca chamar a atenção para o impacto positivo do transporte por ônibus na rotina das cidades e mostrar que os benefícios vão muito além de quem utiliza o transporte público diariamente.
Segundo a campanha, a modernização das frotas é um dos caminhos para tornar o sistema ainda mais sustentável. O setor defende investimentos que permitam ampliar a utilização de ônibus com baixa ou nenhuma emissão de poluentes, como os veículos elétricos, que também proporcionam menos ruído e mais conforto aos passageiros.
Mas a redução da poluição não depende apenas da chegada de novas tecnologias. A própria escolha pelo ônibus já pode fazer diferença. Mesmo os veículos tradicionais movidos a diesel contribuem para diminuir a quantidade de carros nas ruas quando mais pessoas optam pelo transporte coletivo.
Menos carros, menos poluição
Um estudo da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos), realizado em nove cidades brasileiras com mais de 250 mil habitantes, mostra o potencial dessa mudança.
A migração de 10% das viagens realizadas atualmente por automóveis para o transporte coletivo, associada à implantação de faixas exclusivas, corredores e sistemas BRT, poderia reduzir entre 6% e 7% o consumo de energia, entre 5% e 9% a emissão de poluentes locais e de 3% a 4% as emissões de dióxido de carbono (CO₂).
Os números ajudam a dimensionar o impacto de uma mudança relativamente simples na rotina das cidades: substituir parte das viagens individuais por deslocamentos em ônibus.
O transporte coletivo está presente em aproximadamente 2.962 municípios brasileiros e realiza cerca de 50 milhões de viagens por dia. De acordo com a NTU, um em cada três brasileiros utiliza o transporte público para se deslocar.
Além de garantir mobilidade, o ônibus também utiliza o espaço das ruas de forma mais eficiente. Um único veículo pode transportar o equivalente a cerca de 40 automóveis e ocupar até 17 vezes menos espaço nas vias.
O contraste aparece também na composição do trânsito. Os automóveis representam 78,5% dos veículos que circulam no sistema viário, mas transportam praticamente o mesmo volume de passageiros que os ônibus, que correspondem a apenas 8% dos veículos em circulação.
Para o setor, ampliar faixas exclusivas, corredores e sistemas BRT é uma das medidas capazes de melhorar a velocidade dos coletivos, reduzir o tempo de viagem e diminuir os congestionamentos.
Ônibus também são mais seguros
A campanha destaca ainda outro benefício do transporte coletivo: a segurança.
No Vale do Paraíba, 397 pessoas morreram em acidentes de trânsito entre junho de 2025 e maio de 2026, segundo dados do governo do Estado de São Paulo. As motocicletas concentraram 188 vítimas, o equivalente a 47,35% das mortes. Pedestres somaram 77 óbitos (19,39%) e ocupantes de automóveis, 68 (17%).
Entre os passageiros e usuários envolvidos em acidentes com ônibus, foram registradas três mortes no período, o equivalente a 0,75% do total. O número ficou abaixo até mesmo das vítimas envolvendo caminhões, que somaram 17 mortes (4,28%).
Os dados nacionais reforçam a diferença. Em 2024, o Brasil registrou 165.453 internações de motociclistas vítimas de acidentes de trânsito. Entre ocupantes de automóveis foram 14.104 internações. Já entre passageiros de ônibus, foram 350 casos.
Os acidentes também representam um impacto significativo para o sistema público de saúde. Em 2024, as internações de motociclistas consumiram R$ 257,8 milhões do Sistema Único de Saúde (SUS). Os atendimentos a ocupantes de automóveis representaram R$ 32,7 milhões, enquanto as internações de passageiros de ônibus somaram R$ 659,9 mil.
Escolha que impacta toda a cidade
A proposta da campanha “O Brasil é Coletivo” é reforçar que os benefícios do transporte público não ficam restritos aos passageiros. Menos carros nas ruas significam menor emissão de poluentes, menor consumo de energia, melhor aproveitamento do espaço urbano e potencial redução dos congestionamentos.
No Vale do Paraíba, a discussão ganha importância diante dos desafios de mobilidade e dos altos índices de acidentes registrados nas ruas e rodovias.
Para o setor, investir em transporte coletivo é também investir em qualidade de vida. A combinação entre modernização da frota, ônibus menos poluentes, corredores exclusivos e maior adesão da população pode ajudar a construir cidades com trânsito mais eficiente e, principalmente, com um ar mais limpo para todos.
A mensagem é simples e representa o espírito da campanha: Transporte Coletivo, bom para você, melhor para cidade, essencial para o planeta.