OPERAÇÃO

Taubaté: operação X-Men prende 10 por 'quadrilha da morte'

Por Leandro Vaz | Taubaté
| Tempo de leitura: 3 min
Da redação
Reprodução
Operação da polícia prendeu 10
Operação da polícia prendeu 10

Uma organização criminosa investigada por envolvimento com o tráfico de drogas e por arquitetar a execução de integrantes de grupos rivais foi alvo de uma grande operação da Polícia Civil nesta segunda-feira (17), em Taubaté. Dez pessoas foram presas durante a Operação X-Men, deflagrada pela Deic (Delegacia Especializada de Investigações Criminais).

Segundo a Polícia Civil, foram expedidos 17 mandados de prisão preventiva pela 3ª Vara de Organizações Criminosas e Lavagem de Dinheiro. Dez ordens foram cumpridas e outros sete investigados são considerados foragidos.

Entre os presos, conforme informações apresentadas pela polícia sobre a investigação, está uma estagiária de Direito. A função que ela teria exercido dentro da organização e seu grau de participação nos crimes investigados fazem parte das apurações.

A operação recebeu o nome de X-Men porque, segundo a Deic, integrantes da organização passaram a utilizar apelidos relacionados aos personagens da conhecida franquia como forma de dificultar a identificação durante as investigações.

Investigação começou após explosão de homicídios

O trabalho policial teve início após uma onda de violência registrada em Taubaté em 2021. De acordo com a Deic, o município, que tinha média de aproximadamente 21 homicídios consumados, chegou a registrar 42 mortes naquele ano.

A polícia relacionou parte dessa escalada a uma disputa entre dois grupos rivais ligados ao tráfico de drogas.

Com o avanço das investigações e a prisão de alguns suspeitos, os policiais afirmam ter conseguido reconstruir a estrutura e o modo de atuação da organização.

Segundo a Deic, o grupo teria elaborado planos detalhados para eliminar rivais e conquistar o domínio de pontos de tráfico.

A investigação aponta ainda que integrantes praticavam roubos para obter dinheiro destinado à compra de armas. Veículos roubados também teriam sido adulterados e transformados em carros “dublê”, usados posteriormente nas execuções e abandonados depois dos crimes.

“Dossiê do crime”

Um dos suspeitos presos nesta segunda-feira é apontado pela investigação como responsável por preparar a logística dos homicídios determinados pelas lideranças da organização.

Segundo a polícia, ele pesquisava as vítimas nas redes sociais, levantava informações sobre lugares frequentados pelos alvos e chegava a passar de carro por esses locais para realizar filmagens.

Todo esse material seria reunido em uma espécie de “dossiê do crime”, posteriormente encaminhado aos integrantes responsáveis pelas execuções.

O investigado também seria responsável pela preparação dos veículos “dublê” utilizados nas ações criminosas.

Ordens saíam de dentro da prisão

Outro ponto identificado pelos investigadores foi a continuidade das atividades da organização mesmo após a prisão de integrantes importantes.

A Polícia Civil afirma ter constatado que membros que estavam no sistema prisional utilizavam cartas para transmitir ordens a comparsas que permaneciam em liberdade.

O líder apontado pela polícia e seu braço direito já estavam presos antes da operação desta segunda-feira, após uma prisão em flagrante realizada anteriormente pela própria Deic.

A ação desta segunda-feira contou ainda com apoio do 1º e do 4º Distritos Policiais de Taubaté e da Guarda Civil Municipal.

Para a Polícia Civil, a Operação X-Men encerra uma longa etapa de investigação contra o grupo apontado como um dos responsáveis pela escalada de homicídios registrada em Taubaté em 2021. As buscas agora continuam para localizar os sete investigados que permanecem foragidos.

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