POLÍTICA

Mudar de Casa não significa mudar de propósito

Por Mara Gabrilli | São Paulo
| Tempo de leitura: 3 min
Senadora por São Paulo e, atualmente, candidata à deputada estadual (PSD-SP)
Divulgação
Senadora Mara Gabrili
Senadora Mara Gabrili

Depois de uma trajetória de 16 anos no Congresso Nacional, chega o momento de seguir por um novo caminho. Novo porque nunca disputei uma vaga para a Assembleia Legislativa de São Paulo e essa passar a ser minha nova meta a partir de agora. Ao mesmo tempo, é um caminho de continuidade, porque meu compromisso permanece o mesmo: lutar para dar voz, dignidade e oportunidades às pessoas.

Minha causa nunca foi só minha. Ela foi construída com muitas pessoas que, durante muito tempo, não tiveram voz, espaço ou oportunidades, mas que acreditaram em mim. Uma mulher que perdeu os movimentos do pescoço para baixo, mas nunca perdeu a vontade de trabalhar, de lutar e de fazer acontecer. 

Minha luta pela inclusão, pela acessibilidade, pelos direitos das pessoas com deficiência e com doenças raras, pelo respeito à diversidade humana e por políticas públicas capazes de melhorar a vida dos brasileiros continua mais forte do que nunca.

Mesmo sem disputar, nesta eleição, uma nova vaga no Senado, minha posição é simples e direta. Cobrarei de todos os candidatos um compromisso claro com o legado que construímos e, principalmente, com tudo aquilo que ainda precisa ser feito.

Não se trata de pedir a ninguém que reproduza o meu mandato. Trata-se de garantir que os avanços conquistados não sofram retrocessos e que as pautas que ainda estão pendentes continuem avançando no Congresso Nacional.

Neste último ano de mandato, encerro um ciclo virtuoso no Congresso Nacional. E quem assumir a representação do Estado de São Paulo terá uma grande responsabilidade: defender e aprimorar a Lei Brasileira de Inclusão, regulamentar a avaliação biopsicossocial da deficiência, ampliar a rede de reabilitação, garantir acesso a tecnologias assistivas, fortalecer a educação inclusiva, proteger as políticas de cotas, avançar nas políticas de cuidado e assegurar direitos para pessoas com deficiência, pessoas com doenças raras, pessoas idosas e suas famílias.

Também será necessário manter firme o compromisso com a proteção dos direitos das mulheres e, sobretudo, com as mães atípicas, que tantas vezes carregam suas famílias nas costas, sobrecarregadas pela falta de apoio, de cuidado e de reconhecimento. 

Também é preciso enfrentar a violência contra as mulheres com a urgência que ela exige. Mulheres não podem continuar morrendo simplesmente por serem mulheres.

Há ainda muito a fazer para ampliar a acessibilidade, garantir trabalho e renda, fortalecer a saúde e a educação, melhorar a mobilidade, estruturar políticas de cuidado e assegurar autonomia e participação plena na sociedade.

Sem isso, não há inclusão. E sem inclusão não há desenvolvimento de verdade.

Continuarei trabalhando para que a agenda nacional da inclusão avance. Foi o que deixei claro quando participei como colaboradora do Estrada para o Futuro, documento lançado por Michel Temer e elaborado com especialistas de diferentes áreas para apresentar aos candidatos à Presidência da República propostas para o futuro do Brasil.

Minha contribuição está justamente naquilo que conheço profundamente: o que o país precisa fazer para deixar de invisibilizar milhões de brasileiros com deficiência e com doenças raras e transformar a inclusão em uma verdadeira política de Estado.

Voltarei para minha casa, para o meu Estado de São Paulo. Estarei ainda mais perto das pessoas, dos municípios e da mulher que me inspirou a entrar para a política: minha mãe.

É dessa forma que pretendo levar para São Paulo a experiência que acumulei em Brasília e a mesma disposição de transformar desafios em soluções. De transformar dor em motor. Vulnerabilidades em potência.

Sigo com a mesma voz que um dia me faltou, porque ainda há muitos que precisam ser ouvidos, e seguirei cobrando para que ninguém deixe essa responsabilidade para trás, porque meu legado não é obra acabada.

* Mara Gabrilli, 58, é senadora por São Paulo e, atualmente, candidata à deputada estadual (PSD-SP). Psicóloga e publicitária. Foi secretária da pessoa com deficiência de São Paulo, vereadora, deputada federal por dois mandatos consecutivos, além de representante o Brasil em Comitê da ONU.

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