"Deus estava lá comigo."
Após sobreviver 42 horas à deriva em meio à escuridão do alto-mar, com frio extremo, medo e desidratação, a jovem Bruna Damaris Sant’anna da Silva, de 26 anos, abriu o coração ao OVALE Cast para narrar a experiência de fé e superação que comoveu o Litoral Norte de São Paulo e o Brasil.
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Em entrevista exclusiva ao Documento OVALE Cast, podcast em formato de grande reportagem de OVALE, a sobrevivente reconstruiu os momentos mais dramáticos de sua vida. Ela lembra também os momentos ao lado do amigo Dheorge Pereira Bernardino, que não sobreviveu ao acidente.
"Fiquei com medo de virar comida de tubarão", contou Bruna. Ela chegou, em meio ao desespero, a pedir a Deus por uma "morte digna", mas manteve a fé até o fim. "Eu sou um milagre", afirmou a OVALE.
Do passeio ao naufrágio na costa de Ilhabela
O que deveria ser apenas um passeio de domingo em Ilhabela, naquele domingo (24 de maio), transformou-se em um cenário de sobrevivência extrema. Bruna aceitou o convite de um amigo para dar uma volta de moto aquática (jet ski). O tempo no momento do embarque estava levemente nublado, sem vento forte ou ondas agressivas.
Entretanto, durante a noite de domingo, a embarcação apresentou problemas e começou a ser invadida por água pelo lado esquerdo. Em pouco tempo, o jet ski afundou completamente no mar aberto, deixando os dois ocupantes à deriva, dependendo unicamente de seus coletes salva-vidas.
Ela foi encontrada e resgatada pelos pescadores Alex e Alan na terça-feira à tarde, 26 de maio de 2024 (após cerca de 42 horas à deriva no mar) e ficou hospitalizada até o dia 28.
A luta contra o frio, a sede e os desmaios na escuridão
Foram quase dois dias inteiros enfrentando a imensidão do Oceano Atlântico. Bruna relatou os momentos de terror psicológico e o desgaste físico provocado pelas condições extremas. Sem água potável, a jovem recorreu a uma tática desesperada para enganar a sede provocada pelo sal do mar: chupar o próprio colete salva-vidas e cuspir na água.
"Eu sentia fraqueza, desespero e muito sono. Na verdade, acho que eu desmaiava. De repente, sentia a água gelada no meu rosto e acordava boiando, deitada na água", revelou Bruna no OVALE Cast.
Quando foi resgatada, sua boca apresentava diversas lesões por conta da água salgada. No hospital, os médicos constataram um quadro severo de hipotermia, com a temperatura corporal da jovem marcando 34,5°C.
O pensamento na filha de 5 anos como combustível para viver
Em meio à solidão do oceano, a imagem da filha de 5 anos foi a principal força para que Bruna não desistisse da vida. A jovem conta que orava constantemente pedindo a oportunidade de reencontrar a família.
"Eu só pensava na minha filha. Eu falava para mim mesma: 'Eu preciso voltar, eu preciso ver minha filha e minha família'. Ela foi a minha maior esperança", emociona-se.
Enquanto equipes do Corpo de Bombeiros, Marinha e Grupamento Aéreo realizavam varreduras pela região, Bruna chegou a ver aeronaves e um avião de reconhecimento passando ao longe. Em um ato desesperado, chegou a retirar a parte superior do biquíni para acenar e gritar por socorro, mas a distância e a imensidão do mar impediram que fosse vista.
O resgate milagroso pelos pescadores Alex e Alan
O desfecho milagroso aconteceu quando os pescadores Alex e Alan avistaram Bruna boiando perto da Ilha de Búzios, a quase 18 km de distância do local onde foi encontrada.
Alex revelou posteriormente à jovem que aquele percurso não fazia parte da rota planejada pelo barco de pesca naquele dia, mas sentiu um forte impulso no coração para mudar a direção -- decisão que acabou salvando a vida da jovem.
"Quando ouvi a voz deles dizendo 'Calma, a gente tá indo aí', achei que fosse um sonho. Eles foram meus heróis", relembra Bruna, que passou a considerar o pescador Alex como um segundo pai.
'Eu sou um milagre'
Para além dos números assustadores, da hipotermia e das marcas físicas que ainda cicatrizam, o que permanece na alma de Bruna é a certeza inabalável de que sua vida foi preservada por um propósito maior. Na vastidão silenciosa do oceano, onde cada onda parecia um adeus, a jovem encontrou na fé a força invisível para continuar a nadar.
Cada oração sussurrada na escuridão e a imagem da filha mantida no coração foram a ponte que a sustentou até o sopro de vida trazido pelos pescadores, cujos caminhos foram guiados no momento exato em que a esperança parecia se esgotar.
'Foi Deus, com certeza'
Hoje, ao olhar para trás e ver que venceu o impossível, Bruna não tem dúvidas de que renasceu sob o olhar atento da providência divina. Sua história deixa de ser apenas um relato de dor para se tornar um farol de esperança e uma prova viva do poder da fé para quem precisa acreditar que milagres existem.
Ao soprar as velas dessa nova chance e encarar o futuro com gratidão no peito, ela carrega consigo a mensagem que agora ecoa por todo o Brasil. Sobrevivente, Bruna afirma não importa quão profundas sejam as águas da adversidade, Deus nunca nos deixa à deriva.
"Continue a nadar, não importa a situação, continue a nadar", ensina Bruna.