Foi em São José dos Campos que o então comandante da Aeronáutica enviou ao presidente Jair Bolsonaro uma mensagem que entraria para a história: a FAB (Força Aérea Brasileira) não apoiaria um golpe de Estado. Agora, Carlos Baptista Junior promete revelar os bastidores daquele momento e da crise institucional de 2022 no livro 'Eu Disse Não! Uma Trincheira Antigolpista', que será lançado em setembro, às vésperas da eleição presidencial.
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A informação foi divulgada pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo.
A obra promete trazer detalhes inéditos sobre as reuniões realizadas no Ministério da Defesa, as pressões sofridas pelos comandantes militares e os episódios que antecederam a tentativa de golpe de Estado.

Segundo O Globo, a obra, da Autêntica Editora, reconstruirá reuniões reservadas, pressões, assédios e episódios internos que antecederam a tentativa de impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
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O livro também aborda o ambiente de tensão dentro das Forças Armadas entre 2021 e a posse do novo governo, revelando como as reuniões de "análise de conjuntura" no Ministério da Defesa ganharam intensidade inédita às vésperas da eleição.
O brigadeiro tornou-se uma das principais testemunhas das investigações da Polícia Federal sobre a tentativa de golpe. Ao lado do então comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, ele resistiu às propostas de ruptura institucional e, por isso, não foi indiciado pela PF. Situação diferente da do então comandante da Marinha, Almir Garnier Santos, apontado pela investigação como favorável às iniciativas golpistas.
São José dos Campos no centro da história
Um dos capítulos mais relevantes da obra tem como cenário São José dos Campos.
Foi na cidade, em 16 de dezembro de 2022, durante uma cerimônia de formatura no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), que Baptista Junior transmitiu um dos recados mais contundentes ao governo Bolsonaro.
Após encontrar o então ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno, o comandante determinou que fosse levado ao presidente Jair Bolsonaro (PL) um aviso direto: a Força Aérea Brasileira não apoiaria qualquer movimento de ruptura democrática. O encontro ocorreu enquanto um acampamento de apoiadores do então presidente permanecia instalado em frente ao DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial), em São José dos Campos.
Em depoimento à Polícia Federal, Baptista Junior afirmou que pediu a Heleno que reforçasse ao presidente a posição da Aeronáutica. Segundo a transcrição, o ministro ficou "atônito" diante da manifestação do comandante da FAB.
A minuta do golpe
Dois dias antes da passagem por São José, Baptista Junior participou de uma reunião convocada pelo então ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira.
Segundo o depoimento prestado à Polícia Federal, foi apresentada aos chefes militares uma minuta que impediria a posse do presidente eleito. O brigadeiro afirmou ter rejeitado imediatamente o documento.
Conforme o relato, ele declarou que a Aeronáutica "não admitiria sequer receber esse documento" e que a força não aceitaria qualquer hipótese de golpe de Estado. Logo depois, deixou a reunião.
Também segundo os depoimentos, o então comandante do Exército, Marco Antônio Freire Gomes, posicionou-se contra a proposta, enquanto o então comandante da Marinha, Almir Garnier Santos, não manifestou oposição ao conteúdo da minuta durante o período em que Baptista Junior permaneceu na sala.
Ataques após a resistência
A posição adotada pelo comandante da Aeronáutica desencadeou uma série de ataques.
Baptista Junior afirmou que passou a ser chamado de "traidor da pátria" nas redes sociais. O relatório da Operação Tempus Veritatis revelou mensagens atribuídas ao general Walter Braga Netto incentivando ataques ao brigadeiro e à sua família. Nas conversas, Braga Netto determinava que aliados "infernizassem" a vida do então comandante da FAB e, ao mesmo tempo, elogiassem o comandante da Marinha.