Lidar diariamente com famílias enlutadas faz parte da rotina de Isaías dos Santos Hilário, de 53 anos. Há 27 anos, ele trabalha como agente funerário da Urbam (Urbanizadora Municipal), onde atua na preparação de corpos para velórios. Fora do expediente, dedica-se à música como maestro e professor, desenvolvendo projetos voltados à comunidade.
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Em São José dos Campos, Isaías é responsável pelo serviço de tanatopraxia no Velório Municipal. A função exige preparação técnica para realizar os procedimentos antes das cerimônias de despedida. Segundo ele, o início na profissão foi um período de adaptação, até compreender a importância do trabalho para as famílias.
Casado há 31 anos e pai de dois filhos, Isaías afirma que encontrou propósito na atividade que exerce. Para ele, oferecer um atendimento respeitoso durante o momento de despedida faz parte da responsabilidade da profissão. "Alguém precisa fazer um serviço digno nesta área, com respeito e com a sensibilidade que uma família em luto merece", afirma.
Música faz parte da rotina desde a infância
Além da atuação na Urbam, Isaías é conhecido no meio musical como Mestre Zazá. O contato com a música começou aos sete anos de idade, mas foi aos 18 que decidiu seguir o caminho da regência.
A trajetória teve início na igreja e ganhou novo rumo após sua passagem pela Fundação Cultural Cassiano Ricardo, onde recebeu incentivo para estudar regência. Atualmente, integra a Orquestra Joseense, participa da camerata e coordena um grupo musical que realiza apresentações em escolas, instituições de longa permanência para idosos e condomínios.
O grupo também participa de eventos como o Dia de Finados e, em algumas ocasiões, realiza apresentações em velórios particulares.
Ensino de música reúne diferentes gerações
Isaías também dedica parte do tempo às aulas de música. Entre os alunos estão crianças, jovens e adultos. Seu filho seguiu carreira profissional na área musical e, recentemente, o maestro começou a ensinar o neto, de três anos.
Para facilitar o aprendizado, ele empresta instrumentos a estudantes que ainda não possuem equipamento próprio.
Entre os alunos está o sobrinho João Pedro dos Santos, que iniciou os estudos de violino aos seis anos e hoje integra a camerata ao lado do tio.
"Ele foi meu maior incentivador desde o começo e grande parte do que aprendi na música devo a ele", relata João Pedro.
Duas profissões marcadas pelo atendimento às pessoas
Ao longo de quase três décadas, Isaías construiu uma trajetória dividida entre duas atividades distintas. Durante o expediente, atua no serviço funerário. Nos demais horários, dedica-se à música, à formação de novos instrumentistas e às apresentações culturais.
As duas funções, embora diferentes, têm em comum o contato direto com as pessoas e fazem parte da rotina do morador de São José dos Campos.