OPINIÃO

A volta às aulas começa antes do primeiro dia

Por Marcelo S. Córdoba | CEO da Maple Bear São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
A volta às aulas começa antes do primeiro dia
A volta às aulas começa antes do primeiro dia

Quando pensamos na volta às aulas, é comum associarmos esse momento ao primeiro dia em que a criança cruza novamente o portão da escola. No entanto, a adaptação começa muito antes disso. Os últimos dias das férias representam uma oportunidade importante para que as famílias retomem gradualmente hábitos que favorecem o bem-estar, a aprendizagem e uma transição mais tranquila para o novo semestre.

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Durante o recesso, é natural que a rotina fique mais flexível. Horários para dormir e acordar mudam, o tempo dedicado às telas aumenta e a alimentação costuma seguir um ritmo diferente. Embora essas mudanças façam parte das férias, é importante compreender que o retorno abrupto à rotina escolar pode gerar cansaço, dificuldade de concentração e ansiedade nos primeiros dias de aula.

Por isso, acredito que o segredo não está em transformar tudo de uma vez, mas em promover pequenas mudanças progressivas. Ajustar o horário de dormir entre 15 e 30 minutos por noite, por exemplo, ajuda o organismo a recuperar seu ritmo natural sem provocar resistência ou desgaste.

Outro ponto que merece atenção é o uso de telas no período noturno. O Guia Crianças, Adolescentes e Telas, do Governo Federal, destaca que a exposição a celulares, tablets e videogames antes de dormir interfere na qualidade do sono, prejudicando a memória, a concentração e o aprendizado. Reduzir esse uso entre uma e duas horas antes de dormir é uma medida simples, mas que pode fazer grande diferença no retorno às aulas.

A alimentação também desempenha um papel importante nesse processo. Restabelecer horários regulares para as refeições contribui para organizar o organismo e facilita a retomada da rotina escolar. Da mesma forma, é interessante incentivar atividades que despertem a curiosidade das crianças, como leitura, jogos de raciocínio, experiências culinárias, passeios culturais ou conversas em um segundo idioma. Essas experiências mantêm o cérebro ativo sem transformar os últimos dias de férias em uma antecipação das obrigações escolares.

Outro aspecto que considero fundamental é envolver a criança na preparação para esse novo ciclo. Organizar a mochila, separar o uniforme e conversar sobre as expectativas para o semestre ajudam a desenvolver autonomia e tornam o retorno mais previsível e acolhedor. Quando a criança participa desse processo, ela se sente mais segura e confiante para enfrentar a mudança de rotina.

Essa parceria entre família e escola faz toda a diferença. Quando ambos caminham na mesma direção, a adaptação acontece de forma mais leve e positiva. A criança percebe que existe uma rede de apoio preparada para recebê-la, o que reduz a ansiedade e fortalece sua disposição para aprender.

Essa visão também é reforçada por organismos internacionais, como o UNICEF, que destaca a escola como um espaço essencial para o desenvolvimento integral das crianças, promovendo não apenas a aprendizagem, mas também a socialização, a saúde e a proteção.

Por isso, gosto de lembrar que a volta às aulas não começa no calendário nem no portão da escola. Ela começa dentro de casa, nas pequenas escolhas que as famílias fazem nos últimos dias das férias. São esses cuidados que ajudam a transformar o retorno em uma experiência mais tranquila, saudável e positiva para todos.

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