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No Vale, Alckmin diz que novo tarifaço dos EUA é 'descabido'

Por Xandu Alves | Jacareí
| Tempo de leitura: 2 min
Ricardo Stuckert/PR
Lula e Alckmin durante visita à fábrica da Avibras Aeroco, em Jacareí
Lula e Alckmin durante visita à fábrica da Avibras Aeroco, em Jacareí

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta sexta-feira (24), durante visita à fábrica da Avibras Aeroco, em Jacareí, que o governo brasileiro considera "descabida" a nova tarifa anunciada pelos Estados Unidos de 12,5% sobre produtos brasileiros, suposta falha na fiscalização na importação de bens produzidos com trabalho forçado.

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Apesar da medida, ele garantiu que o Brasil seguirá buscando uma solução por meio do diálogo e manterá as negociações abertas com o governo norte-americano.

A declaração foi dada durante entrevista coletiva na unidade da Avibras, após o anúncio de um novo pacote de tarifas que atingiu 86 países, incluindo os 27 integrantes da União Europeia.

Segundo Alckmin, a justificativa utilizada pelos Estados Unidos para a cobrança adicional não encontra respaldo na realidade brasileira.

"O Brasil tem uma das legislações trabalhistas mais avançadas do mundo. Não faz o menor sentido relacionar o país a trabalho forçado. Essa medida é injusta e descabida", afirmou.

Governo mantém negociação aberta

Alckmin reforçou que a principal estratégia do governo federal será continuar negociando com os Estados Unidos para tentar reverter ou reduzir os impactos das novas barreiras comerciais.

Segundo ele, a Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, continua disponível como instrumento de resposta, mas eventual aplicação dependerá de decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seguirá os trâmites legais, incluindo consultas públicas.

"O que depender do Brasil, nós vamos continuar na mesa de negociação", declarou.

Ele ressaltou que a orientação do governo é agir em três frentes: manter o diálogo com os Estados Unidos, demonstrar que a medida é considerada injusta e oferecer suporte aos setores econômicos mais afetados.

R$ 18,5 bilhões para apoiar empresas

Durante a entrevista, Alckmin informou que o governo federal já autorizou R$ 18,5 bilhões em medidas de apoio às empresas atingidas pelas novas tarifas.

Os recursos serão destinados a linhas de crédito para capital de giro, aquisição de bens de capital, investimentos e outras ações voltadas à preservação da competitividade e dos empregos.

Além do apoio financeiro, o vice-presidente destacou que o Brasil continuará ampliando sua presença em novos mercados internacionais como forma de reduzir a dependência comercial de um único parceiro.

Segundo ele, a estratégia já apresenta resultados positivos. O país encerrou o ano passado com exportações recordes de US$ 349 bilhões e, nos seis primeiros meses deste ano, voltou a registrar novo recorde, com US$ 184 bilhões em vendas ao exterior.

Para Alckmin, a diversificação dos destinos das exportações fortalece a economia brasileira diante de medidas protecionistas adotadas por outros países.

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