FÁBRICA NA REGIÃO

Lula diz que defesa do Brasil é prioridade na Avibras

Por Jesse Nascimento | Jacareí
| Tempo de leitura: 4 min
Jesse Nascimento

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o fortalecimento da indústria nacional de defesa durante visita à fábrica da Avibras Aeroco, em Jacareí, nesta sexta-feira (24).

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Em discurso voltado à soberania nacional, Lula afirmou que proteger o território brasileiro deve ser uma prioridade permanente do Estado, elogiou os trabalhadores que mantiveram a empresa durante anos de crise e destacou a importância estratégica da recuperação da fabricante de equipamentos militares.

Apesar da expectativa, o presidente não comentou as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos nem anunciou recursos para quitar as dívidas trabalhistas da empresa.

A visita aconteceu na unidade da Avibras Aeroco, localizada no km 14 da Rodovia dos Tamoios, e contou com a presença do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.

Defesa nacional é prioridade, diz Lula

Durante o pronunciamento, Lula afirmou que um país com as dimensões do Brasil precisa investir continuamente em sua capacidade de defesa, destacando que a proteção do território nacional não pode ser tratada como assunto secundário.

"Cuidar da defesa desse país é muito importante. É coisa prioritária", afirmou o presidente.

Lula citou a extensão das fronteiras brasileiras, a Amazônia, a chamada Amazônia Azul, as reservas minerais e os recursos naturais como razões para que o país mantenha uma estrutura militar moderna e tecnologicamente preparada.

Segundo ele, embora o Brasil tenha tradição diplomática e defenda a paz, é necessário investir em equipamentos, pesquisa, tecnologia e produção nacional para garantir autonomia diante dos desafios internacionais.

Investimento em tecnologia e indústria nacional

O presidente também ressaltou que o fortalecimento das Forças Armadas depende diretamente do desenvolvimento da indústria brasileira de defesa.

Segundo Lula, o país precisa dominar tecnologias estratégicas e reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros, ampliando investimentos em pesquisa científica, inovação e produção industrial.

Nesse cenário, a Avibras ocupa posição estratégica por atuar no desenvolvimento de foguetes, mísseis, sistemas de artilharia, propulsão e veículos especiais.

A direção da empresa afirmou que a fábrica recuperou sua capacidade técnica, financeira e industrial e vive uma nova fase após anos de dificuldades.

Lula elogia trabalhadores da Avibras

Parte significativa do discurso foi dedicada aos funcionários que permaneceram ligados à empresa durante o período de recuperação judicial, paralisação das atividades e atrasos salariais.

Lula afirmou sentir orgulho dos trabalhadores pela preservação da estrutura da fábrica mesmo durante os anos mais difíceis.

"Eu estou muito orgulhoso de todos vocês."

O presidente lembrou que muitos empregados ficaram mais de 30 meses sem receber salários e elogiou a mobilização da categoria, que negociou um acordo para o pagamento parcelado dos valores devidos em até 48 meses.

A retomada da Avibras ocorre após quatro anos de crise e uma greve que durou 1.280 dias.

Sindicato cobra aporte de R$ 300 milhões

Embora tenha reconhecido o esforço dos trabalhadores, Lula não anunciou recursos para quitar as dívidas trabalhistas.

Durante a visita, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região entregou ao presidente um pedido de aporte federal de R$ 300 milhões, considerado essencial para viabilizar o pagamento dos créditos trabalhistas previstos no acordo firmado com os credores.

O presidente não informou prazo, fonte de recursos ou qualquer decisão oficial sobre o pedido, mantendo a expectativa por um posicionamento futuro do Governo Federal.

Tarifas dos Estados Unidos ficaram fora do discurso

Antes da visita, havia expectativa de que Lula comentasse as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos, especialmente pelo impacto que a medida pode ter sobre empresas brasileiras com atuação internacional.

No entanto, o tema ficou completamente fora do pronunciamento presidencial.

O discurso concentrou-se exclusivamente na política de defesa, na soberania nacional, na retomada da indústria brasileira e na valorização dos trabalhadores da Avibras.

Nenhum novo contrato foi anunciado

Apesar do apoio político à empresa, Lula não anunciou novos contratos militares, encomendas das Forças Armadas, financiamentos ou investimentos diretos para a Avibras.

A direção da fabricante informou que pretende buscar recursos junto ao BNDES, Finep, Ministério da Defesa e Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação para ampliar investimentos, desenvolver novos projetos e aumentar as exportações.

A concretização dessas iniciativas, porém, dependerá de futuras decisões do Governo Federal e da celebração de novos contratos.

Recuperação da Avibras segue com desafios

A visita presidencial representa um importante gesto institucional de apoio à recuperação da Avibras, considerada uma das principais empresas brasileiras do setor de defesa.

A companhia retomou as atividades após a reorganização de seus ativos industriais e tecnológicos, iniciando uma nova fase com 271 trabalhadores ativos e previsão de novas contratações.

O acordo homologado pelos credores também prevê o pagamento de aproximadamente R$ 230 milhões em dívidas trabalhistas para cerca de 1,4 mil pessoas.

Apesar do simbolismo da visita de Lula, o futuro da empresa ainda dependerá da conquista de novos contratos, da continuidade da produção, da ampliação das exportações e da solução definitiva das pendências financeiras.

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