A investigação sobre a morte da cozinheira Berenice Ramos de Aguiar, de 60 anos, teve novos desdobramentos. Equipes da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de São Sebastião cumpriram um novo mandado de busca e apreensão domiciliar, com apoio da perícia técnica de Caraguatatuba.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública, durante a operação foram apreendidos um telefone celular e um gravador de vídeo digital, conhecido como DVR. Os equipamentos serão encaminhados para análise pericial. Novos depoimentos também estão sendo colhidos, enquanto outras diligências seguem em andamento.
Berenice estava desaparecida desde 30 de junho, quando deixou o restaurante onde trabalhava, em Ubatuba, no Litoral Norte. O corpo dela foi encontrado no dia 17 de julho em uma área de mata de difícil acesso, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.
Polícia reconstitui trajeto
Em entrevista à Band Vale, o delegado da DIG de São Sebastião, Tadeu Ricardo de Castro, afirmou que os investigadores conseguiram reconstituir o trajeto percorrido pela caminhonete da principal suspeita, uma empresária de 46 anos presa temporariamente desde o dia 10.
A apuração utilizou imagens de câmeras de segurança, registros de radares e informações de geolocalização. Conforme a Polícia Civil, os elementos indicam que, diferentemente da versão inicialmente apresentada pela investigada, o veículo seguiu em direção ao estado do Rio de Janeiro no dia do desaparecimento.
Perícia encontra perfurações no carro
A perícia realizada na caminhonete também identificou duas perfurações na lateral do passageiro, aparentemente compatíveis com disparos de arma de fogo, além de vestígios de sangue no banco. Os laudos ainda estão em elaboração e deverão apontar a origem do material biológico e auxiliar na reconstrução da dinâmica do crime.
De acordo com o delegado, os elementos reunidos até o momento também levantam a possibilidade de participação de outras pessoas no homicídio. A hipótese continua sendo apurada.
Corpo foi encontrado em área de difícil acesso
O corpo de Berenice foi localizado na região de Serra d’Água, às margens da Estrada de Lídice, em Angra dos Reis. A operação envolveu policiais civis de São Paulo e o 3º Batalhão de Ações Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro.
Segundo os investigadores, o cadáver estava preso a uma árvore em um trecho íngreme, sendo necessário o apoio do Corpo de Bombeiros para a retirada. A suspeita é de que o corpo tenha sido lançado de um ponto mais elevado da mata.
A identificação foi feita pelo filho da vítima. Exames necroscópicos realizados pelo Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro deverão contribuir para esclarecer a causa e as circunstâncias da morte.
Empresária é a principal suspeita
Berenice trabalhava como cozinheira em um restaurante e morava em uma pousada no bairro Ubatumirim. O desaparecimento foi comunicado pelo filho, que relatou ter mantido o último contato com a mãe em 29 de junho.
No dia seguinte, entre 15h e 16h, a cozinheira recebeu uma carona da proprietária do estabelecimento onde trabalhava. A empresária declarou que teria deixado Berenice no trevo da rodovia, em Ubatumirim. A partir daquele momento, ela não foi mais vista.
A empregadora foi presa temporariamente durante a Operação Último Rastro. Na residência dela, os policiais apreenderam dois veículos, telefones celulares, um passaporte e três armas de fogo.
Segundo a Polícia Civil, a prisão foi decretada após a identificação de contradições nos depoimentos da investigada e a reunião de outros elementos considerados relevantes. Câmeras de segurança e radares teriam registrado a caminhonete da empresária seguindo pela Rodovia Rio-Santos, em direção a Paraty, e retornando a Ubatuba horas depois.
Uma das linhas de investigação considera que o crime possa estar relacionado a um conflito trabalhista. Berenice havia sido dispensada por causa da baixa temporada e pretendia voltar para a casa que mantinha em Igaratá após receber os valores da rescisão.
O filho da cozinheira afirmou que a mãe e a empregadora vinham discutindo nos dias anteriores ao desaparecimento. Segundo ele, testemunhas também teriam presenciado uma discussão mais séria entre as duas no próprio dia em que Berenice desapareceu.
A investigação prossegue para esclarecer a motivação, identificar possíveis envolvidos e determinar as circunstâncias da morte.