JUSTIÇA

Mãe e padrasto de quatro crianças torturadas em Cunha são presos

Por Jesse Nascimento | Cunha
| Tempo de leitura: 4 min
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Caso foi registrado na Delegacia de Cunha
Caso foi registrado na Delegacia de Cunha

A mãe e o padrasto das quatro crianças de 4, 5, 8 e 10 anos, que teriam sido torturadas em Cunha, foram presos na manhã desta quinta-feira (23), na zona rural do município, em cumprimento a mandado de prisão temporária expedido pela Justiça a pedido da Delegacia de Cunha. Com o homem, a Polícia Militar apreendeu um simulacro de pistola.

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A prisão ocorreu às 10h10, no bairro Falcão. Segundo o boletim de ocorrência, policiais militares faziam uma abordagem de rotina quando consultaram os sistemas policiais e constataram que havia mandado de prisão temporária contra os dois.

O casal foi conduzido à Delegacia de Polícia de Cunha, onde teve o teor do mandado lido e recebeu voz de prisão. A ocorrência foi registrada como captura de procurado, sem flagrante.

A prisão temporária foi expedida pelo Juízo de Direito da Comarca de Cunha, nos autos de um processo que corre em segredo de justiça. A medida foi solicitada pela própria Delegacia de Cunha, responsável pela investigação.

Ao término dos trabalhos na delegacia, os dois seriam encaminhados ao IML (Instituto Médico Legal) de Guaratinguetá para exame de corpo de delito e, depois, à Cadeia Pública de Lorena.

O boletim informa que a prisão seria comunicada ao juízo que expediu o mandado, ao Plantão Judiciário da Vara Regional de Garantias da 9ª RAJ, em São José dos Campos, e ao Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt.

A mãe da presa foi comunicada da prisão. Os dois receberam cópia do mandado devidamente cumprido.

Celular e simulacro de arma

Por determinação judicial, a polícia apreendeu os dois aparelhos celulares que estavam com o casal. Os aparelhos foram lacrados e deverão passar por perícia.

Durante a abordagem, os policiais perguntaram aos capturados se havia algo irregular na posse deles. O homem, de 37 anos, informou que tinha um simulacro de arma, encontrado embaixo da cama.

O objeto é uma pistola de airsoft, de metal e na cor preta. Segundo o boletim, a ponteira laranja havia sido retirada, o que deixava o simulacro muito parecido com uma arma de fogo verdadeira.

O boletim de ocorrência registra a profissão do preso como funcionário público municipal. A mulher, de 30 anos, aparece como responsável por prendas domésticas.

Pai percebeu ferimentos nos filhos

O caso foi registrado na terça-feira (21), depois que o pai das crianças identificou marcas nos corpos dos filhos. Ele havia recebido os quatro irmãos no dia 17 de julho, para as férias escolares.

Ao ajudar as crianças no banho, o pai percebeu hematomas e escoriações. Em conversas separadas, os irmãos relataram agressões físicas, castigos com objetos, ameaças, privação de alimentos e obrigação de dormir no chão em noites frias.

As quatro crianças foram atendidas no Pronto-Socorro da Santa Casa de Guaratinguetá. O médico pediatra identificou lesões compatíveis com objetos de ação cortante e contundente, além de escoriações no tronco e nos membros.

A ocorrência foi inicialmente classificada como tortura. O enquadramento final depende dos laudos do IML, dos depoimentos e da conclusão do delegado.

Até a publicação desta reportagem, o casal não havia constituído defesa conhecida. O espaço permanece aberto.

Crianças relatam atos de violência

A menina de 4 anos declarou que sofreu golpes na região dos olhos e pancadas na cabeça, atribuídas à mãe. Ela também relatou que o padrasto teria atingido sua testa com uma cadeira.

Segundo a versão registrada no boletim, os responsáveis levavam as crianças a unidades de saúde após alguns dos episódios. A menina afirmou que eles apresentavam justificativas diferentes para os ferimentos, numa suposta tentativa de ocultar a origem das lesões.

A criança citou golpes perto dos olhos, pancadas na cabeça e uma cadeirada na testa. As agressões foram atribuídas à mãe e ao padrasto no relato apresentado à polícia.

O menino de 5 anos afirmou que sofreu agressões com fio de trator e vara de espinhos. Ele também citou chineladas e socos na cabeça.

A criança declarou ainda que enfrentava intenso sofrimento físico e psicológico durante a noite. O boletim não detalha todos os episódios noturnos, a frequência dos atos ou o período exato em que teriam ocorrido.

Ele relatou que o fio de trator teria sido utilizado como instrumento de agressão. A criança também citou vara de espinhos, chineladas e socos na cabeça.

O menino de 8 anos disse que recebia castigos frequentes com uma vara de espinhos. Segundo o depoimento, o padrasto também teria usado um objeto contundente para atingir seus braços e ombros.

A criança afirmou que a mãe presenciava os atos e, em determinadas ocasiões, incentivava a continuidade das agressões. Essa versão integra o conjunto de informações que a Polícia Civil deverá confrontar com depoimentos, perícias e outros elementos.

O menor declarou que recebia golpes com vara de espinhos e com um objeto contundente nos braços e nos ombros. Ele atribuiu as agressões ao padrasto.

O menino de 10 anos afirmou que sofreu golpes com vara de espinhos no rosto, pauladas nas pernas e nas costelas e chutes na região genital. Ele atribuiu os atos ao padrasto.

A criança também declarou que era obrigada a dormir diretamente no chão, sem colchão ou outra proteção adequada, mesmo durante períodos de frio intenso.

O boletim não informa por quanto tempo o menino teria dormido no chão ou quantas vezes essa imposição ocorreu. Esses pontos ainda dependem de esclarecimento no inquérito.

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