FRAN GALVÃO

Você escolhe suas cores por hábito, por gosto ou por intenção?

Por Fran Galvão | Consultora de imagem e estilo
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação
Você escolhe suas cores por hábito, por gosto ou por intenção?
Você escolhe suas cores por hábito, por gosto ou por intenção?

Você já vestiu uma roupa que parecia perfeita na vitrine, encantadora na arara, mas, quando olhou no espelho, sentiu que havia algo estranho? A roupa continuava bonita. A cor também. Mas, em você, simplesmente não funcionava.

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Ou talvez você já tenha ouvido um comentário como: "Nossa, essa cor te apagou." Ou, no extremo oposto: "Você está tão iluminada hoje!"

A maioria das pessoas acredita que isso é apenas uma questão de gosto, mas posso te garantir que não é.

Na maioria das vezes, a resposta está nas cores que ficam próximas ao seu rosto. E é justamente aí que entra a coloração pessoal.

Mas antes que você imagine aquelas discussões intermináveis sobre cartelas e estações do ano, deixa eu desfazer um dos maiores mitos que existem sobre esse assunto: Coloração pessoal não é moda, não é regra, e, definitivamente, não é prisão.

Coloração pessoal é ferramenta.

Talvez essa seja a maior confusão que as redes sociais tenham criado. Muita gente faz a análise de coloração acreditando que vai receber uma sentença: "A partir de hoje você nunca mais poderá usar determinada cor." Como se alguém entregasse um manual dizendo o que é permitido e o que está proibido.

Não funciona assim. A coloração (correta) não limita - ela esclarece. Ela mostra quais cores conversam melhor com a sua pele, com a intensidade dos seus traços, com o contraste natural do seu rosto e com a temperatura da sua pele. E, quando você entende isso, passa a fazer escolhas muito mais conscientes.

Porque cor comunica e comunica antes mesmo de você abrir a boca.

Uma cor alinhada às suas características pode iluminar a pele, suavizar olheiras, destacar os olhos, transmitir frescor e até fazer você parecer mais descansada. Já uma cor distante da sua harmonia natural pode endurecer a expressão, evidenciar sinais de cansaço e até acrescentar alguns anos à sua aparência.

Percebe como isso vai muito além da estética?

É percepção. E percepção sempre influencia na comunicação. Existe uma pergunta que escuto praticamente em toda análise de coloração: “Fran, e se o preto não estiver na minha cartela?"    


Minha resposta costuma ser sempre a mesma: calma, descobrir que o preto não é sua melhor cor não significa que ele foi banido do seu guarda-roupa. Significa apenas que talvez ele não seja a escolha mais estratégica quando estiver muito próximo ao seu rosto.

Você pode continuar usando uma calça preta, uma saia, um sapato ou até mesmo um blazer, equilibrando a composição com uma terceira peça, um acessório, uma maquiagem ou uma cor de blusa mais favorável.

Aliás, essa ideia de que "preto combina com todo mundo" é uma das maiores ilusões da moda. Pouquíssimas coisas são universais quando falamos de imagem pessoal.

A coloração influencia a maquiagem que valoriza seu rosto, a cor do cabelo que harmoniza com seus traços, a escolha dos brincos, dos óculos, dos lenços, das estampas e de tudo aquilo que permanece próximo da sua face.

Mas existe um aspecto sobre o qual ainda se fala pouco - o impacto profissional das cores.

Se imagem é comunicação, cor também é. Imagine uma líder que precisa motivar sua equipe. Será que qualquer cor transmite energia, proximidade e inspiração? Agora pense em alguém que precisa conduzir uma reunião delicada, negociar um contrato importante ou até comunicar uma decisão difícil. Será que qualquer cor sustenta essa mensagem? Provavelmente não.

As cores ajudam a construir percepção. E percepção influencia autoridade, credibilidade, confiança e presença. Isso não significa manipular pessoas. Significa alinhar sua comunicação visual com a mensagem que deseja transmitir. É estratégia pura.

E talvez seja justamente por isso que a coloração pessoal tenha deixado de ser apenas um assunto da moda para ocupar espaço dentro da consultoria de imagem, do posicionamento profissional e até da construção de marca pessoal.

Na minha opinião, o mais bonito da coloração pessoal não é descobrir uma cartela, e sim descobrir a si mesma. Perceber que você não precisa mudar quem é para se sentir bonita. Você só precisa entender o que já funciona em você.

Quando isso acontece, comprar roupas fica mais fácil. O guarda-roupa faz mais sentido. Os looks parecem mais coerentes. Você deixa de acumular peças que vivem esquecidas no armário e passa a investir com muito mais consciência.

Mas talvez a maior transformação aconteça diante do espelho - quando você entende por que determinadas escolhas funcionam, você para de brigar com a sua imagem, e faz com ela trabalhe a seu favor.

Por isso, deixo uma última pergunta: você escolhe suas cores por hábito, por gosto ou por intenção?

Porque existe uma enorme diferença entre gostar de uma cor e entender o que ela faz por você e quando essa diferença fica clara, vestir-se deixa de ser apenas uma escolha estética e passa a ser uma forma inteligente de comunicar quem você é antes mesmo de dizer a primeira palavra.

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