O padrasto do menino Yuri vai a julgamento no Fórum de Taubaté, nesta quarta-feira (22), pela morte da criança de 2 anos em 13 de fevereiro de 2025. Investigação da Polícia Civil desconstruiu a versão do réu, de que Yuri teria morrido em decorrência de uma queda no banheiro.
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O caso começou como uma ocorrência de possível acidente doméstico. Yuri deu entrada no Hospital Regional do Vale do Paraíba em parada cardiorrespiratória, após sofrer um traumatismo craniano.
Segundo as informações reunidas durante o inquérito, a equipe médica identificou diversas lesões espalhadas pelo corpo do menino. Algumas marcas aparentavam ser anteriores ao dia da morte, levantando suspeitas de violência, o que levou o hospital a acionar as autoridades.
Após perícias, depoimentos e reprodução simulada dos fatos, a Deic (Delegacia Especializada de Investigações Criminais) de Taubaté passou a contestar a hipótese de acidente. A acusação sustenta que o conjunto das provas aponta para uma morte causada por agressões.
Versão do padrasto
O padrasto afirmou inicialmente que a criança havia passado mal e caído no banheiro durante um banho. Conforme a versão apresentada à polícia, Yuri teria sofrido o ferimento durante esse suposto acidente doméstico.
A investigação encontrou contradições entre o relato, os depoimentos de testemunhas, o estado do corpo da criança e os resultados dos exames periciais.
A reprodução simulada procurou verificar se a dinâmica descrita pelo investigado poderia produzir as lesões identificadas. Segundo a Polícia Civil, os resultados não confirmaram a versão apresentada.
As circunstâncias verificadas no banheiro, a posição descrita pelo padrasto e o tipo de traumatismo constatado pelos peritos passaram a compor a tese de que a queda não explicava a morte.
Laudo necroscópico
O laudo necroscópico apontou que Yuri morreu em consequência de traumatismo craniano causado por múltiplas lesões. O documento também indicou sinais compatíveis com agressões e possível tortura, conforme a apuração policial.
Os médicos identificaram lesões em diferentes regiões do corpo, algumas com características de datas distintas. Esse elemento levou os investigadores a analisar a possibilidade de episódios anteriores de violência.
Roupas da criança com manchas de sangue também foram apreendidas. O material passou por análise para verificar sua relação com os ferimentos e com a dinâmica descrita pelo investigado.
Babá e testemunha
A babá informou à polícia que o menino não havia ficado sob seus cuidados na data da morte. Uma testemunha também relatou que encontrou a criança deitada e viu sangue no nariz do menino após o suposto acidente.
Segundo a apuração inicial, Yuri demonstrava medo quando o padrasto se aproximava. A testemunha não afirmou ter presenciado agressões, mas o comportamento passou a integrar a análise do inquérito.
Com base nas provas reunidas, a Deic solicitou a prisão preventiva do investigado. A Justiça aceitou o pedido e expediu o mandado.
O homem não foi localizado de imediato e passou a ser considerado foragido. Dias depois, policiais o encontraram no bairro Araretama, em Pindamonhangaba, durante uma ocorrência relacionada ao tráfico de drogas.
Os agentes cumpriram o mandado de prisão preventiva ligado à morte de Yuri. O suspeito também foi levado à delegacia devido à ocorrência de tráfico.
O padrasto teve a prisão preventiva decretada após a investigação e foi localizado em Pindamonhangaba. A situação atual da custódia deve ser confirmada durante a sessão no Fórum de Taubaté.
Depoimento da mãe
A mãe afirmou que rompeu o relacionamento com o então companheiro após a morte do filho. Ela também declarou à polícia que passou a acreditar na responsabilidade do padrasto.
Em depoimento, a mulher relatou que o companheiro demonstrava ciúmes da criança. Na apuração inicial, ela informou que estava no trabalho no momento em que recebeu a notícia sobre o suposto acidente.
A análise do comportamento familiar, das mensagens, das rotinas da residência e dos depoimentos ajuda a polícia a reconstruir os acontecimentos anteriores à morte.
A reportagem não teve acesso a uma manifestação atual da defesa sobre o julgamento. O espaço permanece aberto para a inclusão do posicionamento dos advogados do réu.