Familiares, amigos e admiradores da jornalista e escritora Lúcia Helena Sigaud Issa, de 58 anos, vão participar da missa de sétimo dia em homenagem à profissional, que morreu após uma intensa luta contra um câncer de intestino.
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A cerimônia será realizada no próximo sábado (18), às 19h, na Igreja de São Benedito, na praça Joaquim Vilela, em Guaratinguetá.
Natural da cidade, Lúcia deixou um legado reconhecido internacionalmente pelo trabalho desenvolvido em zonas de conflito, especialmente no Oriente Médio, e pela defesa dos direitos humanos.
A celebração representa um momento de oração e despedida para aqueles que acompanharam sua trajetória de coragem, dedicação ao jornalismo e compromisso com causas humanitárias. Desde o anúncio de sua morte, confirmado pela família nas redes sociais, inúmeras manifestações de carinho e reconhecimento têm sido publicadas por pessoas que conviveram com a jornalista.
Homenagens
A notícia da morte foi compartilhada pelo irmão, o fotógrafo Beto Issa, que escreveu uma mensagem breve e emocionada: "Minha irmã descansou nos braços de Deus." A despedida sensibilizou colegas de profissão, amigos e leitores que acompanharam sua carreira e também sua batalha contra a doença.
Ao longo de quase um ano de tratamento, Lúcia transformou as redes sociais em um espaço de esperança. Compartilhava relatos sobre a rotina contra o câncer, mensagens de fé e incentivo para outras pessoas que enfrentavam o mesmo diagnóstico. Em uma publicação feita no aniversário, em abril, emocionou seguidores ao afirmar que, apesar da gravidade da doença, mantinha a vontade de viver e agradecia pela oportunidade de continuar escrevendo, realizando palestras e convivendo com a família.
Legado reconhecido no Brasil e no exterior
Lúcia Helena construiu uma carreira marcada pela cobertura de conflitos internacionais. Especializada em temas ligados à Palestina, Síria e aos Bálcãs, tornou-se referência ao contar histórias de mulheres refugiadas, vítimas da guerra e pessoas afetadas por crises humanitárias.
Além do trabalho como jornalista, destacou-se como escritora e ativista. Entre suas obras está o livro "Quando Amanhece na Sicília", que retrata a realidade de mulheres que enfrentaram a máfia italiana.
Seu compromisso com a paz e a defesa dos direitos humanos rendeu homenagens nacionais e internacionais, como o prêmio Estrella del Sur, no Uruguai. Recentemente, também havia sido empossada como integrante da Academia de Letras e Música de Aparecida, reconhecimento concedido pela contribuição literária e jornalística.
Amigos destacam coragem e humanidade
As homenagens prestadas após a morte evidenciam o impacto que Lúcia Helena deixou na vida de quem conviveu com ela.
A jornalista Cristina Malaquiad afirmou que a amiga deixa um legado impossível de ser esquecido.
"Há pessoas que deixam marcas profundas por onde passam. Lúcia Helena Issa foi uma delas. Lutou com coragem e dignidade contra a doença até o fim, sem jamais perder sua força e sua essência. O mundo ficou mais pobre com sua partida, mas infinitamente mais rico por ter conhecido sua generosidade, sua coragem e seu compromisso com a justiça."
O irmão, Eduardo Issa, fotógrafo e documentarista, também compartilhou a dor da despedida.
"Uma tristeza enorme perder uma irmã tão jovem, com apenas 58 anos. Nunca pensei que passaria por isso. Ela estava com um câncer muito agressivo e sofrendo demais. Estávamos rezando para que Deus abreviasse esse sofrimento. Ela morreu no mesmo dia em que nossa mãe faleceu, há três anos. Tenho certeza de que nossa mãe intercedeu para que ela parasse de sofrer."
O escritor Lúcio Mauro Dias resumiu a trajetória da jornalista em poucas palavras. "Mulher forte e cheia de vida que se tornou um ícone de perseverança diante das injustiças do mundo."
Já o morador de Guaratinguetá Fabio Selles Ribeiro, que disputou uma eleição ao lado de Lúcia, destacou sua atuação em defesa das causas humanitárias.
"Hoje nos despedimos de Lúcia Helena. Tive a honra de tê-la como companheira de chapa pelo PT na disputa à Prefeitura de Guaratinguetá. Mulher de cultura vasta, autora que retratou com maestria a saga do povo e das mulheres palestinas, ela trouxe leveza, justiça e amor ao próximo para a nossa caminhada. Guará, o Brasil e o mundo perdem uma defensora única dos direitos humanos."
O engenheiro Paulo Orlandeti, amigo da família, também publicou uma mensagem de despedida. "Dia de se despedir de minha irmã que a vida gentilmente me deu. Muita luz para toda a família. Abraço fraterno."
Missa marca despedida e celebra legado
A missa de sétimo dia vai reunir familiares, amigos, colegas de profissão e pessoas que foram inspiradas pela história de Lúcia Helena. Mais do que um momento de despedida, a celebração simboliza o reconhecimento por uma trajetória construída com coragem, sensibilidade e compromisso em dar voz às vítimas de guerras, desigualdades e violações de direitos humanos.
Mesmo após sua partida, a jornalista deixa um exemplo de perseverança, solidariedade e amor ao próximo, valores que marcaram sua vida pessoal e profissional e que continuam inspirando quem acompanhou seu trabalho.