O rastro do dinheiro.
Duas semanas após o desaparecimento da cozinheira Berenice Ramos de Aguiar Faria, de 60 anos, a investigação da Polícia Civil reforça que um impasse sobre o pagamento da rescisão do contrato de trabalho pode ter sido o estopim do caso.
A trabalhadora esperava receber entre R$ 4 mil e R$ 5 mil, mas teria recebido a proposta de apenas R$ 900, valor que recusou por considerar muito abaixo do devido.
Berenice desapareceu no dia 30 de junho, em Ubatuba, após aceitar uma carona da então patroa, a empresária Eliane Alves dos Santos, considerada a principal suspeita e que foi presa temporariamente na última sexta-feira (10).
Até esta terça-feira (14), quando o desaparecimento completa duas semanas, o corpo da cozinheira ainda não havia sido localizado.
Buscas por corpo de Berenice continuam
As buscas continuam na região de divisa entre Ubatuba e Paraty (RJ), após uma denúncia anônima indicar que os restos mortais da vítima poderiam ter sido ocultados no local. A Polícia Civil trabalha com a hipótese de homicídio.
Segundo familiares, Berenice trabalhou cerca de quatro meses no restaurante da empresária sem registro em carteira. Após ser dispensada, ela acreditava ter direito a receber entre R$ 4 mil e R$ 5 mil em verbas rescisórias. No entanto, a proposta apresentada pela empregadora teria sido de apenas R$ 900.
A cozinheira recusou a oferta. Conforme relatos, o namorado de Eliane teria aconselhado Berenice a aceitar o dinheiro e depois buscar seus direitos na Justiça. Um advogado trabalhista também tentou intermediar um acordo entre as duas, mas a negociação terminou sem consenso.
Filho questiona versão da empresária
A versão apresentada pela empresária também é contestada pela família da vítima. Em entrevista ao portal Metrópoles, o filho de Berenice, José Carlos de Faria Filho, afirmou que não acredita na justificativa dada sobre a carona.
Segundo ele, Eliane disse que levaria a funcionária até o Centro de Ubatuba, mas interrompeu o trajeto no meio do caminho, mesmo com a cozinheira carregando malas.
Imagens de uma câmera de segurança registraram parte do percurso realizado pela caminhonete da empresária na tarde do desaparecimento, reforçando a linha de investigação da Polícia Civil.
Pagamento em dinheiro gera dúvidas
Durante depoimento, Eliane afirmou ter pago R$ 2,6 mil em dinheiro à funcionária. No entanto, segundo a investigação, não há recibo ou qualquer documento que comprove a entrega da quantia.
O filho de Berenice questiona essa versão.
"Vai pagar em espécie? Se você tem uma empresa e vai pagar um funcionário que está sendo desligado, precisa ter pelo menos algum recibo ou documento comprovando que aquele acordo foi encerrado. E isso não existe", afirmou.
Empresária possui três negócios
Além do restaurante e pizzaria onde Berenice trabalhava, Eliane também é proprietária de um mercado e de uma casa de ração no bairro Ubatumirim, em Ubatuba.
Apesar de administrar três estabelecimentos comerciais, registros da Jucesp (Junta Comercial do Estado de São Paulo) apontam capital social declarado de R$ 5 mil.
A reportagem não conseguiu localizar a defesa da empresária. O espaço permanece aberto para manifestação.