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Lula defende indústria de defesa e soberania em visita a São José

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Xandu Alves/OVALE
Lula discursa em São José dos Campos
Lula discursa em São José dos Campos

Em visita a São José dos Campos nesta segunda-feira (13), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou a defesa da soberania nacional por meio de investimentos na indústria de defesa, que tem forte representatividade na cidade e na região, e também no fortalecimento das forças armadas. Em discurso na cidade, considerada um dos principais polos aeroespaciais do país, Lula afirmou que investir no setor significa garantir a soberania nacional e assegurar que o Brasil tenha capacidade de proteger seu território, suas riquezas naturais e sua população.

Ao lembrar o início do atual mandato, o presidente revelou que a primeira reunião realizada após a posse foi dedicada justamente à recuperação da indústria de defesa. Participaram do encontro os comandantes das três Forças Armadas, o ministro da Defesa, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, além de representantes do BNDES e do setor aeronáutico.

Segundo Lula, a iniciativa surgiu da constatação de que o Brasil havia se tornado vulnerável por não investir adequadamente em equipamentos militares e no desenvolvimento tecnológico voltado à defesa nacional.

Durante o pronunciamento, o presidente relembrou situações enfrentadas em seu primeiro mandato, em 2003, quando encontrou as Forças Armadas com estrutura considerada precária. Ele citou que soldados eram dispensados antes do horário do almoço por falta de recursos para alimentação, além de problemas na frota de aeronaves da Presidência da República e da Força Aérea Brasileira.

Lula afirmou que esse cenário motivou o governo a iniciar um processo de modernização das Forças Armadas. "Nós não queremos Forças Armadas para pagar aposentadoria. Nós queremos Forças Armadas para cuidar da soberania desse país", declarou.

O presidente ressaltou que o Brasil possui mais de 16 mil quilômetros de fronteiras terrestres, cerca de 8,5 mil quilômetros de litoral e uma extensa área marítima que abriga reservas estratégicas de petróleo e outros recursos minerais. Para ele, proteger esse patrimônio exige investimento permanente em tecnologia e equipamentos.

"Se a gente não tomar conta da nossa fronteira, quem vai tomar conta? Quem vai cuidar do nosso petróleo, das nossas terras raras e dos minerais críticos?", questionou.

Lula também destacou que o país não busca conflitos, mas precisa estar preparado para defender sua soberania. "Nós não queremos guerra, mas queremos um país altamente preparado para defender a sua soberania", afirmou.

Polo tecnológico ganha protagonismo

Em São José dos Campos, o presidente ressaltou a importância do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e da indústria aeroespacial instalada na cidade para o desenvolvimento tecnológico brasileiro. Segundo ele, o país precisa ampliar sua capacidade de produzir equipamentos estratégicos, reduzindo a dependência externa.

Lula comemorou o anúncio de que o Brasil passa a integrar o grupo dos seis países capazes de produzir turbinas aeronáuticas, destacando ainda que o equipamento desenvolvido utiliza etanol como combustível, reforçando o protagonismo brasileiro na transição energética.

O projeto está sendo desenvolvido no IAE (Instituto de Aeronáutica e Espaço), dentro do DCTA, em São José dos Campos.

Para o presidente, a conquista representa um avanço tecnológico de grande relevância para a indústria nacional e para a competitividade do país no cenário internacional.

Defesa da indústria nacional

Ao longo do discurso, Lula voltou a defender uma política de industrialização baseada em inovação e agregação de valor. Segundo ele, o governo pretende impedir que minerais estratégicos brasileiros sejam exportados apenas como matéria-prima.

O presidente afirmou que o objetivo é estimular a produção industrial dentro do país, gerando empregos qualificados, desenvolvimento tecnológico e maior independência econômica.

Ele também reforçou que preservar a capacidade industrial ligada ao setor de defesa significa fortalecer a economia brasileira e ampliar a capacidade de resposta diante de desafios geopolíticos.

Encerrando a visita, Lula afirmou que o Brasil precisa preservar sua história e investir continuamente em ciência, tecnologia e inovação para consolidar sua posição entre as nações com maior capacidade industrial do mundo. Segundo ele, fortalecer a indústria de defesa é uma decisão estratégica para garantir a soberania nacional e proteger as futuras gerações.

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