Um homem de 27 anos, acusado de matar e decapitar a própria mãe em Belo Horizonte (MG), afirmou durante perícia de sanidade mental que retirou a cabeça da vítima para verificar se ela era "um ser humano ou uma máquina".
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Segundo o laudo psiquiátrico anexado ao processo criminal, ele acreditava que a mãe poderia ser "um robô mal programado". A perícia concluiu que o investigado apresenta doença mental e não possui capacidade de responder criminalmente pelos atos.
As declarações foram prestadas à equipe de psiquiatria da Polícia Civil de Minas Gerais e integram o processo que apura o homicídio ocorrido em 22 de junho, no bairro Nova Cachoeirinha, na região Noroeste de Belo Horizonte.
De acordo com o laudo, o investigado disse que a decapitação ocorreu após a morte da vítima e que seu objetivo era confirmar se havia "estrutura óssea" no corpo.
"Quando eu cortei a cabeça dela, ela já tinha morrido. Eu queria ver se ela era de verdade, se era ser humano ou máquina. Queria ver se tinha estrutura óssea dentro dela. Poderia ser um robô ou uma máquina. Ela poderia ser um robô mal programado."
Ainda segundo o relato, ele afirmou que não agiu por ódio ou vingança, mas porque acreditava estar cumprindo uma missão.
"Eu estava tentando cumprir o objetivo. Eu não tinha raiva, ódio. O objetivo seria salvar a mim e a minha geração."
Suspeitas começaram quando morava em Portugal
Durante a avaliação psiquiátrica, o homem contou que as desconfianças em relação à mãe começaram quando ele ainda vivia em Portugal. Segundo o depoimento, durante chamadas de vídeo passou a acreditar que os olhos dela ficavam "vermelho-escarlate".
Inicialmente, imaginou que as imagens fossem resultado de alucinações. Depois, passou a acreditar que a mãe fazia parte de uma espécie de sistema que controlava pessoas e sentimentos.
Ele também afirmou aos peritos que sentia fortes dores físicas sempre que tentava falar com ela e que sofria com pesadelos constantes.
"Para eu ter chegado nesse ponto, eu já estava morto por dentro."
Crenças delirantes foram descritas na perícia
O laudo também registra uma série de crenças consideradas delirantes pelos especialistas. O acusado afirmou enxergar "feixes de luz" e acreditar na existência de três dimensões (física, quântica e espiritual).
Segundo seu relato, a mãe não possuía essa "terceira dimensão espiritual" e faria parte de uma estrutura semelhante à retratada no filme Matrix, responsável por controlar corpos, pensamentos e emoções das pessoas.
Essas declarações foram consideradas pelos peritos durante a avaliação clínica, que concluiu pela existência de transtorno mental grave.
Homem foi considerado inimputável
Ao final da perícia, os especialistas concluíram que o acusado apresenta doença mental e, por isso, não possuía capacidade de compreender plenamente o caráter ilícito de seus atos no momento do crime.
Com esse entendimento, ele foi considerado inimputável, condição prevista na legislação brasileira para pessoas que, em razão de transtorno mental, não podem ser responsabilizadas criminalmente da mesma forma que indivíduos plenamente capazes.
O processo segue em tramitação na Justiça de Minas Gerais, que deverá definir as medidas cabíveis com base no laudo pericial.