A professora Michele Ramos, da rede municipal de São José dos Campos, registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil contra os alunos que colocaram uma lâmina de vidro em seu copo de água dentro da sala de aula.
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O episódio ocorreu na manhã de terça-feira (30), na EMEFI Ildete Mendonça Barbosa, no Parque Residencial União, na região sul da cidade.
Segundo Michele, a tragédia só não aconteceu porque ela estranhou a reação dos alunos antes de beber a água. O caso a fez entrar em estado de choque. A educadora precisou receber atendimento psicológico no Hospital de Clínicas Sul.
Ainda bastante abalada e afastada da sala de aula, Michele encaminhou nesta quarta-feira (1º) a abertura da CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) para formalizar o episódio.
Polícia e Conselho Tutelar
Ela também procurou apoio jurídico e registrou o caso na Polícia Civil, que deve investigar a denúncia por meio da Diju (Delegacia de Polícia da Infância e Juventude).
Michele contou ainda que foi informada pela escola que os estudantes envolvidos no caso foram encaminhados para o Conselho Tutelar.
OVALE apurou que dois alunos do 8° ano estariam mais diretamente envolvidos no episódio – e que podem ser transferidos –, e ao menos outros seis que sabiam da lâmina dentro do copo de água da professora, mas não a alertaram imediatamente.
“Há esses alunos envolvidos e outros que sabiam, mas que não fizeram nada na hora também. Eles não me alertaram na hora imediatamente. Só depois, na hora que eles viram que eu ia tomar a água naquele copo”, disse a professora.
Na terça-feira, em vídeo gravado no hospital (veja abaixo), ela relata o trauma vivido, questiona até onde os professores precisam suportar situações de violência e cobra ações concretas da Prefeitura para proteger os profissionais da educação.
"Qual é o limite que a gente tem que aguentar? Até que ponto eu tenho que ser forte? Para aguentar o que mais?"
Na sequência, ela faz um duro diagnóstico sobre o ambiente escolar.
"Já não bastasse todos os desrespeitos que a gente sofre de aluno, de família, às vezes, para chegar num ponto como hoje, os alunos já estão fora do limite completamente."
Professora cobra medidas efetivas
Além do impacto emocional, Michele criticou o que considera falta de políticas efetivas para enfrentar casos de violência e conflitos nas escolas.
Ela afirmou que não espera apenas manifestações de solidariedade, mas mudanças práticas.
"Eu quero coisas práticas, quero regras, estatutos, coisas para serem feitas nesse tipo de situação."
A professora também questionou quais políticas públicas vêm sendo planejadas para lidar com problemas psicológicos enfrentados por professores, alunos e equipes gestoras.
Segundo ela, as responsabilidades atribuídas aos docentes aumentam continuamente, enquanto o suporte oferecido não acompanha essa realidade.
Relembre o caso
O caso aconteceu por volta das 8h20 de terça-feira (30), na EMEFI Ildete Mendonça Barbosa.
De acordo com a professora, alunos do 8º ano colocaram uma lâmina de vidro dentro de seu copo de água enquanto ela estava em sala. Michele contou que só não bebeu porque percebeu cochichos entre os estudantes. Ao verificar o copo, encontrou o pedaço de vidro.
Em relato anterior à reportagem, ela classificou o episódio como "degradante" e afirmou ter ficado em choque ao perceber que diversos alunos presenciaram a situação sem alertá-la imediatamente.
O que diz a Prefeitura
Em nota, a Prefeitura de São José dos Campos informou que lamenta profundamente o ocorrido.
A Secretaria de Educação e Cidadania afirmou que a direção da escola prestou atendimento imediato à professora, que foi encaminhada para atendimento médico e recebeu acolhimento.
Segundo a administração municipal, as famílias dos três estudantes envolvidos foram convocadas, os alunos foram suspensos até o fim do semestre e o caso foi encaminhado aos órgãos competentes para as providências cabíveis.
A Prefeitura acrescentou que situações dessa natureza são tratadas com rigor, seguindo os protocolos de segurança e assistência previstos para preservar a integridade física e emocional dos profissionais da rede municipal.