VIDRO NO COPO D'ÁGUA

Em choque, professora de SJC diz: 'alunos estão fora do limite'

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução

"Os alunos estão fora do limite completamente."

A frase resume o desabafo da professora Michele Ramos, da rede municipal de São José dos Campos, um dia após sofrer um colapso nervoso ao descobrir que estudantes haviam colocado uma lâmina de vidro em seu copo de água dentro da sala de aula.

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Em vídeo gravado no hospital, ela relata o trauma vivido, questiona até onde os professores precisam suportar situações de violência e cobra ações concretas da Prefeitura para proteger os profissionais da educação.

A educadora recebeu atendimento psicológico no Hospital de Clínicas Sul após o episódio ocorrido na manhã de terça-feira (30), na EMEFI Ildete Mendonça Barbosa, no Parque Residencial União, na região sul da cidade.

Segundo Michele, a tragédia só não aconteceu porque ela estranhou a reação dos alunos antes de beber a água.

'Qual é o limite que a gente tem que aguentar?'

Visivelmente emocionada, a professora afirmou que o episódio representa um reflexo da escalada de desrespeito enfrentada pelos profissionais da educação.

"Qual é o limite que a gente tem que aguentar? Até que ponto eu tenho que ser forte? Para aguentar o que mais?"

Na sequência, ela faz um duro diagnóstico sobre o ambiente escolar.

"Já não bastasse todos os desrespeitos que a gente sofre de aluno, de família, às vezes, para chegar num ponto como hoje, os alunos já estão fora do limite completamente."

Segundo Michele, ela saiu da escola sem conseguir compreender a dimensão do ocorrido e precisou buscar atendimento médico.

"Eu só queria ir para minha casa e deitar em posição fetal."

Professora cobra medidas efetivas

Além do impacto emocional, Michele criticou o que considera falta de políticas efetivas para enfrentar casos de violência e conflitos nas escolas.

Ela afirmou que não espera apenas manifestações de solidariedade, mas mudanças práticas.

"Eu quero coisas práticas, quero regras, estatutos, coisas para serem feitas nesse tipo de situação."

A professora também questionou quais políticas públicas vêm sendo planejadas para lidar com problemas psicológicos enfrentados por professores, alunos e equipes gestoras.

Segundo ela, as responsabilidades atribuídas aos docentes aumentam continuamente, enquanto o suporte oferecido não acompanha essa realidade.

'Não vou normalizar isso'

Durante o desabafo, Michele disse que se recusa a aceitar como normal precisar de tratamento psicológico por causa do trabalho.

"Eu só me trato por causa desse trabalho. Antes eu não precisava. Vou ficar me medicando a que custo? Somente para aguentar cada vez coisas piores? Eu não vou normalizar."

Ela informou ainda que pretende registrar uma Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) para formalizar o episódio.

Relembre o caso

O caso aconteceu por volta das 8h20 de terça-feira (30), na EMEFI Ildete Mendonça Barbosa.

De acordo com a professora, três alunos do 8º ano colocaram uma lâmina de vidro dentro de seu copo de água enquanto ela estava em sala. Michele contou que só não bebeu porque percebeu cochichos entre os estudantes. Ao verificar o copo, encontrou o pedaço de vidro.

Em relato anterior à reportagem, ela classificou o episódio como "degradante" e afirmou ter ficado em choque ao perceber que diversos alunos presenciaram a situação sem alertá-la imediatamente.

O que diz a Prefeitura

Em nota, a Prefeitura de São José dos Campos informou que lamenta profundamente o ocorrido.

A Secretaria de Educação e Cidadania afirmou que a direção da escola prestou atendimento imediato à professora, que foi encaminhada para atendimento médico e recebeu acolhimento.

Segundo a administração municipal, as famílias dos três estudantes envolvidos foram convocadas, os alunos foram suspensos até o fim do semestre e o caso foi encaminhado aos órgãos competentes para as providências cabíveis.

A Prefeitura acrescentou que situações dessa natureza são tratadas com rigor, seguindo os protocolos de segurança e assistência previstos para preservar a integridade física e emocional dos profissionais da rede municipal.

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