TEATRO

Edu Moscovis apresenta O Motociclista no Globo da Morte em SJC

Por Luyse Camargo | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação
Eduardo Moscovis apresenta o monólogo 'O Motociclista no Globo da Morte'
Eduardo Moscovis apresenta o monólogo 'O Motociclista no Globo da Morte'

A caminho de São José dos Campos para a apresentação do monólogo "O Motociclista no Globo da Morte", Eduardo Moscovis fala a OVALE sobre a peça, sua rotina de viagens e as reflexões provocadas pela história. No enredo, o público é apresentado a Antônio, um homem comum confrontado com situações de abuso e provocação, cuja atitude desperta reflexões sobre as reações humanas.

Com texto de Leonardo Netto e direção de Rodrigo Portella, o espetáculo fica em cartaz no Teatro Colinas nos dias 27 e 28 de junho.

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Rotina e fé

Fora dos palcos, Eduardo diz ter hábitos simples, como andar de bicicleta com os filhos, ir ao supermercado e à feira, e afirma que prefere se resguardar quando o assunto é sua vida pessoal.

"Eu acho que a exposição, a gente já tem naturalmente da vida profissional que a gente leva, né? E aí eu prefiro me resguardar. Não é nem preferência, é uma questão de eu ser assim mesmo. Eu tenho uma questão com essa coisa da intimidade, da casa, de filho, da minha vida."

Em viagem com o espetáculo desde setembro de 2025, o ator leva consigo uma pequena imagem de Nossa Senhora Aparecida, que também o acompanha aos palcos nas apresentações.

"Ela viaja comigo de avião. Ela sempre tá comigo. Ela entra comigo para fazer a peça. Ela vai no meu bolso. Geralmente, em jogos importantes do Flamengo, ela vai também",  conta aos risos.

A peça

Antônio está num bar e vê uma dupla de clientes em atitudes desrespeitosas e inconvenientes. Chega a pagar a conta para ir embora, mas em determinado momento, o limite de sua tolerância é ultrapassado e ele toma uma atitude inesperada.

"Esse cara tá ali suportando. É um cara avesso à violência (...) e ele vai tentando lidar com aquilo. Pode ser comigo, pode ser com você. E isso também é uma proposta de reflexão. Até onde a gente tá suportando, tá aguentando certos comportamentos? E até o momento em que a gente não aguenta mais, o que a gente faz? Onde é que a gente compactua, né? Silenciando, não interferindo ou não se posicionando", reflete o ator.

Segundo Moscovis, a sutileza das analogias é o grande trunfo do texto. Ele avalia que o texto é "muito potente" nesse sentido, com uma linguagem acessível e de aparente simplicidade que dá espaço para quem assiste visualizar, construir cenários e entender os personagens. Diferentemente de obras audiovisuais em que as imagens são pré-estabelecidas, nesse espetáculo há apenas uma cadeira e o ator em cena; todos os elementos são criados pelo espectador.

"No nosso espetáculo, você pode estar sentada com uma amigona sua (...), mas você vai criar um bar, um Zeca, um Antônio (...), e ela vai fazer um outro, sabe? Isso é muito rico. Esse espetáculo, ele se aproxima muito, muito mesmo, de uma origem que é nossa, que é da contação de história (...) Esse cara entra ali, senta naquela cadeira e vai contar uma história."

Reflexões sobre abusos

Questionado sobre o momento da peça que o emociona, Eduardo aponta um abuso envolvendo a única personagem feminina da história.

"Tem um momento, já da progressão, em que esse cara coloca uma mão na cintura da personagem (...) essa hora me emociona. É muito agressivo, é muito abusivo e é muito comum.  Eu tenho muitas amigas meninas; tenho minhas filhas e eu fico muito tocado por essa violência diária com que vocês (mulheres) são obrigadas a lidar. Pequenas violências. Uma pessoa não tem a permissão de te tocar, de te pegar pelo braço, de botar a mão na sua cintura, de botar a mão no seu cabelo. Não tem. Simplesmente, é simples assim."

Resistência da arte

Premiado com o Shell de Melhor Ator por O Motociclista no Globo da Morte, em março deste ano, Moscovis acredita que o teatro segue relevante mesmo em tempos de vídeos curtos e atenção fragmentada e que a presença do ator no palco é algo que a tecnologia não substitui. "A gente tem o diferencial que é o ‘estar’, né?  O estar ao vivo, de não poder recorrer a nada que não seja mesmo a gente, a uma cumplicidade de público e ator."

Serviço

O espetáculo "O Motociclista no Globo da Morte" acontece sábado (27), às 19h e 20h e domingo (28), às 19h, no Teatro Colinas, na avenida São João, nº 2200, Shopping Colinas, Jardim das Colinas.

Ingressos de R$ 70 a R$ 140.  A classificação indicativa é de 14 anos.

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