VIOLÊNCIA

Mulher é achada morta em Guará; polícia suspeita de feminicídio

Por Jesse Nascimento | Guaratinguetá
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Viviane Maria (no detalhe) foi encontrada morta em imóvel na rua Domingos Rodrigues Alves
Viviane Maria (no detalhe) foi encontrada morta em imóvel na rua Domingos Rodrigues Alves

A Polícia Civil apura feminicídio no caso de uma mulher encontrada morta dentro de um imóvel no Centro de Guaratinguetá. Viviane Maria da Silva Vicente, 24 anos, foi achada sem vida em uma residência na rua Domingos Rodrigues Alves, na noite de terça-feira (23), após familiares passarem o dia sem contato com ela.

Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp

A Polícia Civil procura o companheiro da vítima e requisitou exames periciais para esclarecer a causa da morte e a dinâmica do crime.

O boletim de ocorrência identifica o companheiro da vítima, de 27 anos, como investigado. Ele não havia sido localizado até a emissão do documento, às 4h15 desta quarta-feira (24). O registro informa que o casal tinha dois filhos menores, que ficaram sob os cuidados de familiares após o desaparecimento da mãe.

Como a mulher foi encontrada morta

Familiares estranharam a ausência de Viviane no trabalho, pois ela costumava chegar ao restaurante da família entre 6h30 e 7h. Mensagens enviadas ao celular constavam como recebidas, mas não tiveram resposta. O companheiro afirmou por telefone que ela teria saído de casa, mas não soube explicar onde a mulher estava.

No período da tarde, o investigado pediu a parentes que buscassem os filhos do casal na escola. Uma das crianças entregou a chave da residência a uma tia e informou que o pai havia solicitado o repasse. A situação causou preocupação, pois a família ainda não tinha notícias de Viviane.

Por volta das 20h30, três familiares entraram no imóvel com a chave. As portas estavam trancadas e não havia sinais aparentes de arrombamento. Viviane foi encontrada caída em um dos cômodos, parcialmente coberta por um tapete. Os familiares preservaram o local e acionaram o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e a Polícia Militar. A equipe médica confirmou a morte.

Polícia Civil apura feminicídio

Os depoimentos reunidos no boletim apontam histórico de ciúmes, controle das redes sociais, acesso às contas da vítima e desentendimentos no relacionamento. Uma das crianças relatou a familiares que viu o pai segurar a mãe pelo pescoço e empurrá-la durante a madrugada.

Testemunhas disseram que o investigado fez contatos telefônicos durante a madrugada e demonstrou agitação por causa de uma suposta infidelidade. Após a localização do corpo, ele teria ligado para um cunhado e afirmado que havia feito “uma besteira” e que sua vida e sua família estavam arruinadas.

O boletim registra que policiais militares teriam acompanhado e gravado parte dessa ligação. No entanto, o arquivo de áudio ainda não havia sido apresentado ao plantão policial no momento da elaboração do documento. Por esse motivo, a suposta confissão ainda depende de incorporação formal ao inquérito e análise da Polícia Civil.

Familiares também relataram o desaparecimento do celular da vítima, possível acesso às contas bancárias e retirada de pertences pessoais do investigado. O guarda-roupa dele foi encontrado vazio, circunstância que reforçou para a polícia a hipótese de fuga.

Nenhuma dessas informações representa condenação, pois a responsabilidade criminal depende da conclusão do inquérito e de decisão judicial.

Imóvel passará por perícia

A autoridade policial requisitou perícia no imóvel, exame necroscópico, análise toxicológica e exame subungueal da vítima. Esse último procedimento pode identificar material biológico sob as unhas e auxiliar na busca por sinais de defesa ou contato físico.

A investigação também deverá analisar câmeras existentes nas proximidades do prédio, depoimentos, registros telefônicos e possíveis movimentações financeiras. A Polícia Civil busca ainda o aparelho celular de Viviane, que não foi localizado na residência.

Os laudos terão papel central para determinar a causa da morte, o período provável do óbito e a existência de lesões. Até a conclusão desses exames, os relatos testemunhais constituem elementos iniciais e não substituem a prova técnica.

Comentários

Comentários