HOMEM MORTO

Polícia investiga homem morto pelo ‘tribunal do crime’ em Guará

Por Jesse Nascimento | Guaratinguetá
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução
Vítima foi identificada como Vagner Luís Amaro, 36 anos
Vítima foi identificada como Vagner Luís Amaro, 36 anos

A Polícia Civil investiga a morte de um homem em suposta ação do “tribunal do crime” em Guaratinguetá. Vagner Luís Amaro, 36 anos, foi encontrado morto com sinais de agressão em uma área de mata próxima a um córrego no Beco do Criolo, no Alto de São João, em Guaratinguetá, na tarde de terça-feira (23).

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A Polícia Militar prendeu em flagrante um homem de 23 anos pelo crime. A Polícia Civil procura outros suspeitos citados no boletim, que classifica o caso como homicídio consumado.

O crime ocorreu por volta das 13h50 na região da rua Coronel Tamarindo. A Polícia Militar chegou ao local após uma denúncia anônima informar que um homem sofria agressões dentro da área de mata. O denunciante também citou uma possível ação descrita no registro policial como “tribunal do crime”.

Trata-se de uma prática criminosa e violenta criada pelo PCC (Primeiro Comando da Capital) para decidir quem viverá ou morrerá. Membros da facção julgam e sentenciam a pessoa de acordo com as regras do grupo criminoso.

Homem foi preso em flagrante

O suspeito preso foi identificado no boletim como Ricardo Alexandre. Ele foi encaminhado à Cadeia Pública de Lorena e ficou à disposição da Justiça.

A prisão não representa condenação definitiva, pois a responsabilidade criminal ainda depende da investigação, da manifestação do Ministério Público e de decisão judicial.

Dois policiais militares seguiram até a entrada do Beco do Criolo após o chamado do Copom (Centro de Operações da Polícia Militar). A equipe viu quatro pessoas na área. Três correram em direção à mata, enquanto o homem de 23 anos foi abordado perto da entrada.

De acordo com os depoimentos registrados no boletim, o suspeito estava ofegante, com as roupas sujas de terra e com manchas semelhantes a sangue. Um policial permaneceu com o homem, enquanto o outro entrou no trecho de mata na tentativa de localizar os demais envolvidos.

Os três suspeitos conseguiram escapar por uma área de vegetação fechada. Durante as buscas, os policiais localizaram a vítima perto de um ribeirão. Vagner estava com as mãos e os pés amarrados, parcialmente coberto por areia e com lesões que indicavam agressões físicas e disparo de arma de fogo.

Uma equipe do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) confirmou a morte. A Polícia Civil e a perícia técnico-científica assumiram os trabalhos no local, e o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal.

Depoimento do suspeito

Segundo o boletim, o homem preso declarou aos policiais que estava no local com outras três pessoas. Ele teria citado desavenças relacionadas a supostas agressões da vítima contra a mãe de um dos envolvidos.

O suspeito também teria admitido participação nas agressões físicas, mas atribuiu o disparo fatal a outro integrante do grupo. Essa versão ainda precisa de confirmação por meio dos laudos, dos depoimentos e das demais provas reunidas pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Guaratinguetá.

A Polícia Civil não apresentou conclusão definitiva sobre a motivação, o papel de cada pessoa ou a autoria do tiro. O inquérito deverá confrontar as declarações com os vestígios recolhidos e com eventuais imagens, registros telefônicos e testemunhos.

Apreensões ligadas ao crime

Os policiais apreenderam um telefone celular Motorola relacionado ao homem preso. Também foram recolhidas uma camiseta, uma bermuda e uma peça íntima. O boletim informa que duas das roupas apresentavam manchas semelhantes a sangue.

Entre os objetos pessoais da vítima, a polícia recolheu um boné preto, um relógio com pulseira danificada, um chaveiro, uma pulseira de miçangas e outros acessórios. Todos os itens receberam lacres para a análise pericial.

Os exames podem verificar se as manchas localizadas nas roupas correspondem a sangue humano e se o material pertence à vítima. O celular também pode fornecer registros de chamadas, mensagens, localização e contatos entre as pessoas investigadas, desde que a polícia obtenha as autorizações legais necessárias.

O laudo do IML (Instituto Médico Legal) deverá apontar a causa da morte, a quantidade e o tipo das lesões, além da possível sequência das agressões. Esses resultados ajudarão a definir a participação atribuída a cada suspeito.

Investigação

No entendimento registrado pela autoridade policial, o suspeito foi localizado pouco depois do homicídio, perto da área do crime, com sinais físicos e vestígios que justificaram a prisão. Ele também teria relatado participação nas agressões.

A prisão em flagrante permite a custódia inicial e a análise do caso pelo Poder Judiciário. Ela não elimina a presunção de inocência nem substitui o processo criminal. A defesa pode apresentar sua versão e contestar as provas durante as etapas judiciais.

O boletim cita três pessoas que teriam fugido para a mata. Os relatos policiais apresentam três suspeitos, sendo um deles conhecido pelo apelido. Um adolescente também aparece relacionado ao registro, mas a reportagem preserva sua identificação, conforme as regras de proteção aplicáveis a menores de 18 anos.

A DIG deverá confirmar a identidade de todos os citados, verificar a participação de cada um e localizar os suspeitos. Qualquer informação sobre paradeiro deve ser apresentada às autoridades, sem confronto ou tentativa de abordagem por moradores.

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