CRÔNICA

O retorno do técnico

Por Jeremias Alves Pereira Filho | Especial para a Folha da Região
| Tempo de leitura: 2 min

Lá vou eu de novo palpitar sobre futebol. Meio difícil passar em branco durante a “maior Copa do Mundo” sem abrir o bico, rasgar a caneta ou digitar essas maltraçadas aproveitando a oportunidade para dizer bobagens, o que todos têm o inalienável direito de fazer. Dei aqui no passado recente alguns pitacos sobre nossa gloriosa seleção masculina de futebol, vulgo “selecinha”, que ora participa (?) do torneio global apresentando seu já tradicional péssimo jogo de troca de passes na defesa para ter a vantagem da chamada “posse de bola”. Aliás inútil, porque o gol adversário fica justamente no outro lado do campo, malemá buscado pelos nossos atletas. Ou empata ou perde!

Quase disse “pobres atletas”, que disso nada têm, milionários em dólares ou euros e mais interessados em cortes extravagantes de cabelo, brincos de diamantes, relógios de 1kg em ouro de altos quilates, carrões impossíveis, jatos, helicópteros, mansões, quase sempre acompanhados de loiríssimas “marias-chuteira” do momento, salvo raras exceções. Com tudo isso somado ao provincianismo visceral, quem deles ousaria bater bola como batiam nos tempos infantis (aaargh, desculpe, Infantino) ou juvenis, nos campinhos de terra e bolas de meia das periferias do Brasil.

Não observei no escrete nacional o empenho similar a jogadores de outras seleções, como, por exemplo, o grande goleiro — veterano, competente e empático — do time de Cabo Verde, o Josimar, vulgo Vozinha (homenagem à avó que o criou), que pegou todas as muitas bolas chutadas com desenvoltura pela poderosa seleção Espanhola, garantindo heroico empate de 0X0, festejado como se fosse um jogaço de muitos gols. Só não foi por causa do Vozinha...

Falar nisso, essa Copa inova ao acrescentar 12 seleções classificadas além das tradicionais 36, somando, pois, 48 equipes. Dessas, figuram Arábia Saudita, Cabo Verde, Costa do Marfim, Curaçao, Egito, Eslovênia, Haiti, Islândia, Kuwait, Trinidad e Tobago, além de Irlanda e Paraguai, essas duas últimas já com respeitável cartel. Não estão decepcionando seus admiráveis torcedores e praticam dedicado, diligente e esforçado jogo surpreendendo tradicionais campeões, esses nanicos do futebol. Já pensou, ufanista leitor, um deles como Campeão Mundial da Copa de 2026? Eu, cá entre nós, estou torcendo para um nanico qualquer...

O autor é sócio de Jeremias Alves Pereira Filho Advogados Associados. Especialista em direito empresarial e professor emérito da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Araçatubense nato

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