CLIMA EXTREMO

Contra El Niño, Campinas climatiza escolas e cria refúgios

Por Flávio Paradella | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 4 min
Pacote prevê estações meteorológicas, escolas climatizadas, refúgios climáticos, bebedouros e obras de macrodrenagem.
Pacote prevê estações meteorológicas, escolas climatizadas, refúgios climáticos, bebedouros e obras de macrodrenagem.

Prefeitura de Campinas apresentou um pacote de ações para preparar a cidade para os possíveis impactos do El Niño e de eventos climáticos extremos a partir do segundo semestre. As medidas incluem reforço no monitoramento, emissão de alertas, climatização de equipamentos públicos, criação de refúgios climáticos, prevenção de incêndios e obras para reduzir riscos de alagamentos.

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O projeto, segundo a administração municipal, está alinhado ao Plano Local de Ação Climática e ao Plano Local de Resiliência e Redução de Riscos de Desastres. A intensidade do El Niño ainda é incerta, mas serviços de meteorologia indicam a possibilidade de um fenômeno de moderado a forte, com potencial para ampliar ondas de calor, períodos de seca, incêndios e chuvas intensas.

“O enfrentamento das mudanças climáticas é de toda a sociedade e do governo para amenizar e reduzir os riscos para a população. Há uma previsão do El Niño, de moderado a forte, que realmente nos preocupa”, afirmou o prefeito Dário Saadi.

Na área de monitoramento, a Prefeitura prevê a instalação de 21 estações meteorológicas nos 18 setores de risco de Campinas. A primeira já foi instalada no Museu da Imagem e do Som, no Centro. O investimento total será de R$ 350,7 mil. O pacote também prevê integração das equipes da Defesa Civil, Saúde, Clima, Serviços Públicos e Assistência Social, além de alertas à população por celulares e painéis digitais.

Para enfrentar o calor extremo, a administração anunciou a climatização do Hospital Ouro Verde, com valor estimado em R$ 3,5 milhões e previsão para novembro de 2026. Também está prevista a climatização de 42 escolas municipais a partir de agosto, com investimento estimado em R$ 4,9 milhões. Outra frente é a troca de telhados em unidades de ensino para melhorar o isolamento térmico e reduzir a sensação de calor nos ambientes escolares. Segundo a Prefeitura, 50 escolas já passaram por esse tipo de intervenção, e outras 50 devem ser incluídas em uma nova etapa.

Campinas também pretende criar uma rede de refúgios climáticos para atender a população em períodos de calor intenso. Esses espaços devem contar com sombra, áreas climatizadas, bebedouros e estrutura de acolhimento. Praças, bibliotecas e outros equipamentos públicos poderão integrar a rede. A Prefeitura informou ainda que vai instalar 40 bebedouros públicos em diferentes pontos da cidade. Sete já foram colocados em funcionamento. O investimento total é de R$ 102 mil.

No combate a incêndios, o reservatório da Mata de Santa Genebra já está instalado e deve entrar em operação até o fim de junho de 2026. A estrutura será usada como apoio às ações de enfrentamento ao fogo. A cidade também deve ganhar mais 15 microflorestas até março de 2027, em áreas identificadas como ilhas de calor. Campinas já tem 27 microflorestas prontas, com cerca de 36 mil mudas plantadas.

A infraestrutura urbana também entrou no pacote. A Prefeitura anunciou a implantação de três parques lineares na região central a partir do início de 2027, com investimento total de R$ 23 milhões. As intervenções estão associadas às obras de macrodrenagem e à redução dos riscos de alagamentos.

Entre as ações já em andamento, a administração cita a construção de reservatórios para armazenar água da chuva, os chamados piscinões; o radar meteorológico metropolitano da Unicamp, com alcance de 100 quilômetros; o uso de drones com câmera térmica; binóculos infravermelhos pela Defesa Civil; alertas por SMS; limpeza intensificada de bocas de lobo e galerias; e o desassoreamento dos 48 córregos da cidade três vezes por ano.

O plano também inclui um protocolo integrado no Pico das Cabras, em Joaquim Egídio, para prevenção e apoio ao combate a incêndios em parceria com Morungaba e Itatiba. Outra frente é a capacitação de moradores e servidores para atuação inicial em situações de risco, estiagem e desastres. A segunda turma de moradores iniciou o treinamento há cerca de uma semana.

O coordenador regional e diretor da Defesa Civil de Campinas, Sidnei Furtado, destacou que a preparação da cidade depende da atuação conjunta de diferentes áreas. Ele também lembrou a microexplosão registrada há dez anos em Campinas como um marco para o aprimoramento dos protocolos de resposta.

“A reação operacional, o envolvimento das equipes foi fundamental para lidar com a situação. Foi uma lição definitiva que nós tivemos. Agora estamos mais preparados e é um trabalho contínuo de aprimoramento das medidas e das ações. A natureza sempre pode surpreender”, afirmou.

A meteorologista Ana Ávila, do Cepagri da Unicamp, apresentou os possíveis impactos do El Niño e explicou como o fenômeno pode influenciar o clima nas diferentes regiões do país. O presidente da CPFL, Rafael Lazzaretti, também participou da apresentação e detalhou ações da concessionária para prevenção e resposta a eventos extremos.

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