A irmã de Dheorge Pereira Bernardino, 28 anos, que foi encontrado morto no mar do Litoral Norte após oito dias de buscas, contou que ele teria dito que iria “atravessar os portões” antes de morrer no mar.
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O corpo de Dheorge foi retirado do mar na tarde de segunda-feira (1º) pelas equipes de salvamento. Ele foi encontrado no perímetro da Ilha de Búzios, área onde as buscas estavam concentradas e local próximo de onde o colete salva-vidas da vítima havia sido achado dias atrás.
Dheorge desapareceu na região da Praia da Ponta das Canas, em Ilhabela, no domingo retrasado, dia 24 de maio. Ele estava acompanhado da estudante Bruna Damaris Sant'anna da Silva, 26 anos. A moto aquática em que ambos estavam sofreu uma pane mecânica e acabou arrastada por fortes correntes em direção ao mar aberto.
Em publicação no Instagram, Lorrane Pereira, irmã de Dheorge, afirmou que ouviu um áudio da Bruna dizendo que ela se lembrava de palavras do irmão sobre “atravessar os portões”.
Após ouvir essa frase, a irmã disse que algo dentro dela “finalmente mudou”, o que a ajudou a aceitar a morte trágica de Dheorge.
“Eu entendi que o seu espírito já estava vendo a passagem e se preparando para a volta à nossa verdadeira pátria espiritual”, escreveu Lorrane.
“A aceitação é o processo mais doloroso que já vivi, mas hoje ela chegou para me dizer que você está bem, que sua travessia foi guiada e que o amor não morre. Siga em paz, meu irmão. Sua liberdade é a minha paz”, completou.
Dheorge era natural de Alcântaras, no Ceará, mas morava há aproximadamente dez anos em São José do Rio Preto (SP). Segundo a irmã, o corpo dele será levado para a terra natal de carro, o que irá levar cerca de dois dias para os familiares realizarem o velório e enterro.
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Identidade foi confirmada pela polícia
A megaoperação de buscas por Bruna e Dheorge mobilizou o GBMar (Grupamento de Bombeiros Marítimo), a Marinha do Brasil, a FAB (Força Aérea Brasileira) e o helicóptero Águia da Polícia Militar.
A Polícia Civil confirmou que o corpo encontrado no mar em Ilhabela, na segunda-feira (1º), era de Dheorge. Na terceira edição do boletim de ocorrência, a polícia informou que familiares de Dheorge reconheceram o corpo dele em funerária de São Sebastião.
O reconhecimento foi feito baseado em sinais característicos, como vestimenta (bermuda) e utilização de lentes de contato nos dentes, e depois por análise das digitais e do DNA. O IML (Instituto Médico Legal) de Caraguatatuba confirmou que a morte de Dheorge se deu por afogamento.
O caso comoveu o país inteiro após o resgate milagroso de Bruna, que estava na garupa do veículo com Dheorge. Ela conseguiu sobreviver e foi resgatada por pescadores após passar cerca de 42 horas à deriva em alto-mar. Bruna relatou posteriormente que os dois lutaram juntos contra as ondas antes de serem separados pelas condições extremas do oceano.
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Bruna teve alucinação no mar
A estudante Bruna relembrou os momentos de desespero que viveu ao passar cerca de 42 horas à deriva em alto-mar, no Litoral Norte.
Em entrevista ao “Domingo Espetacular” da TV Record, ela contou que a moto aquática em que estava com Dheorge Pereira Bernardino, 28 anos, apresentou pane e afundou.
Eles estavam com um grupo de amigos em uma lancha quando saíram em direção ao alto-mar com a moto aquática.
Ao perceberem que não conseguiam retornar, após a pane no veículo, os dois deixaram a moto aquática e entraram no mar usando coletes salva-vidas.
Bruna relatou que passou por frio intenso, exaustão e desidratação. Após mais de 24 horas no mar, ela afirma ter sofrido episódios de alucinação.
“Eu escutava alguma coisa me chamando: ‘Bruna, Bruna, vem cá’. E quando olhava para o breu eu via como se fosse um barco. Eu comecei a nadar em direção, só que não era um barco. Era uma montanha e atrás tinha uma nuvem branca. Eu tava nadando pra morte”, disse à Record.
Família pede orações
Em outra publicação, a irmã de Dheorge disse que a família precisa de orações. “Para que Deus nos dê força, sabedoria e coragem para continuar seguindo em frente diante de toda essa dor”.
“Cada mensagem, oração e palavra de conforto tem sido muito importante para nossa família. Que Deus abençoe grandemente cada um de vocês”, afirmou.
Lorrane também esclareceu que a família não precisa e não está pedindo doações em dinheiro, via Pix. Qualquer campanha de arrecadação lançada em nome de Dheorge ou da família não tem aprovação e pode ser golpe.
“A gente só pede oração, que é para manter a gente forte, mas em relação a dinheiro, graças a Deus, a gente não precisa para trazer ele para casa. Então, cuidado, não envie Pix, não mande doações, não existe vaquinha. A gente só pede oração”, disse a irmã.