A Unesp (Universidade Estadual Paulista) criou a Comissão Central de Prevenção e Enfrentamento à Violência contra as Mulheres. O grupo é presidido pela reitora Maysa Furlan e composto integralmente por mulheres, formado por pró-reitoras e também por representantes da Assessoria Jurídica, Ouvidoria, Assistência Social, Coordenadoria de Saúde, Assessoria de Comunicação e Grupo de Trabalho Unesp Mulheres.
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Segundo a universidade, a iniciativa busca enfrentar a questão do assédio por meio de novas ações propositivas e educadoras.
“O objetivo é propor políticas institucionais de enfrentamento à violência contra as mulheres, garantindo o acolhimento adequado às vítimas, com escuta qualificada e encaminhamento aos serviços e autoridades competentes”, disse a Unesp.
“Outras ações vinculadas à comissão envolvem a inserção de conteúdos de conscientização nos planos pedagógicos; a criação de núcleos de acolhimento nas unidades; a realização de campanhas permanentes de prevenção; e o estabelecimento de protocolos para o combate à violência contra a mulher.”
A comissão foi formada após a denúncia da estudante Carolina Ferreira, 21 anos, que acusa um professor da Unesp de São José dos Campos de estupro. O caso foi revelado por OVALE e teve repercussão nacional.
A denúncia foi feita no final de abril, por meio de um vídeo nas redes sociais. Segundo Carolina, o crime ocorreu em 2023, quando ela tinha 18 anos.
O caso foi revelado por OVALE e culminou na apresentação de novas denúncias de abuso na Unesp, além de repercussão nacional. Mobilização de alunos da instituição em São José levou cerca de 200 estudantes para um ato no campus da Odontologia, na região central, no começo de maio.
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Assembleia em São José
No dia 11 de maio, a direção do ICT (Instituto de Ciência e Tecnologia) da Unesp, de São José dos Campos, participou de uma assembleia, juntamente com estudantes de graduação e pós-graduação, para responder a 12 propostas apresentadas à unidade a respeito do combate à violência contra a mulher. Onze propostas receberam respostas positivas do diretor do ICT, professor Cesar Pucci, e da vice-diretora, Symone Teixeira.
Ao final da reunião, a direção e um grupo de alunos assinaram um Termo de Compromisso para o encaminhamento de medidas relativas ao enfrentamento ao assédio, o que inclui formação e capacitação obrigatória do corpo docente.
Na ocasião, a direção do ICT também comunicou aos alunos a criação, pela Reitoria da Unesp, da Comissão Central de Prevenção e Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, por meio de portaria em 8 de maio.]
“Fizemos reuniões diárias com os alunos, desde a semana passada, e foi muito produtivo. Montamos o Grupo de Trabalho de Prevenção e Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, composto exclusivamente por mulheres: docentes, servidoras e alunas”, afirmou a vice-diretora Symone Teixeira.
Combater a violência de gênero na universidade
A reitora da Unesp, professora Maysa Furlan, disse que a comissão representa mais um passo na proposta de se debater e combater a violência de gênero na universidade. A ação dá continuidade à campanha “Unesp sem assédio”, lançada em 2025.
“O assédio precisa ser nomeado, denunciado e combatido. É fundamental discutirmos o assédio em nossa Instituição. Precisamos com seriedade e coragem enfrentar práticas e comportamentos que seguem acontecendo em espaços que devem ser de respeito, aprendizado e convivência”, afirmou a reitora.
Segundo a professora Ana Maria Klein, representante do Grupo de Trabalho Unesp Mulheres e Assessora da Proade (Pró-Reitoria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade), a iniciativa vem ampliar e consolidar o combate à violência contra a mulher na universidade, ao descentralizar grande parte das ações.
“A Comissão prevê a criação de comissões locais de escuta e acolhimento às pessoas que são vítimas; ao mesmo tempo, propõe uma série de ações educativas voltadas ao ensino e à convivência entre as pessoas.”
Para Ana Maria, o movimento também dialoga com parcerias já estabelecidas com outras instituições de ensino: “Esta ação fortalece a rede interinstitucional pela equidade de gênero e respeito pelas mulheres que envolve a Unesp e as outras universidades públicas do estado de São Paulo [USP, Unicamp, UFSCar, Unifesp e UniABC]”, completa.
A Unesp informou que proposta de criação da comissão partiu de diálogos entre o gabinete da Reitoria da Unesp e a Assessoria de Comunicação e Imprensa, tendo em vista os relatos de casos de assédio e de violência contra as mulheres manifestados pela comunidade acadêmica, especialmente em São José dos Campos.