Uma moradora do Jardim Satélite, na zona sul de São José dos Campos, denuncia uma suposta falha médica no atendimento à mãe. A idosa identificada pelas iniciais B.M.G.N., de 67 anos, morreu no dia 26 de abril de 2026, na Santa Casa, após complicações associadas à dengue.
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Segundo a filha, a paciente teria recebido inicialmente diagnóstico de influenza, apesar de exames laboratoriais apontarem suspeita de dengue. A família também afirma que a idosa desenvolveu uma infecção hospitalar durante a internação.
Caso seja oficialmente confirmado pelas autoridades de saúde, este poderá ser o segundo óbito por dengue registrado em São José dos Campos em 2026.
Atendimento e agravamento do quadro
Em entrevista a OVALE, a filha de B.M.G.N. relatou que a mãe procurou atendimento médico no dia 12 de abril, após apresentar febre alta, próxima dos 40°C, indisposição e outros sintomas compatíveis com dengue.
De acordo com o relato, a idosa foi atendida inicialmente em uma UPA da cidade e, mesmo diante de exames que indicavam suspeita da doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o diagnóstico inicial teria sido de influenza. Posteriormente, ela foi encaminhada para a Santa Casa de São José dos Campos.
A família informou ainda que a paciente possuía histórico de problemas renais e reumatismo e fazia uso contínuo de medicamentos como anticoagulantes, corticoides e imunossupressores. Segundo os familiares, o quadro evoluiu posteriormente para dengue hemorrágica.
Durante a internação, a idosa apresentou dificuldade respiratória intensa e episódios de taquicardia, sendo encaminhada à UTI. Conforme o relato, exames identificaram acúmulo de líquido nos pulmões. Ela precisou ser intubada e sofreu três paradas cardíacas.
O que aponta a certidão de óbito
A certidão de óbito cita como causas da morte dengue grave, choque séptico, insuficiência respiratória aguda, infecção urinária hospitalar causada pela bactéria Pseudomonas aeruginosa, artrite reumatoide e hipertensão arterial sistêmica.
A família afirma ainda que a paciente já havia tido contato anterior com a mesma bactéria durante atendimento realizado na Santa Casa em outro período de internação.
O que diz a Santa Casa
OVALE procurou a Santa Casa de São José dos Campos para comentar o caso. Em nota, o hospital informou que, “em respeito à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), ao sigilo médico e à privacidade da paciente e de seus familiares, a instituição não divulga informações clínicas, dados de prontuário ou detalhes sobre atendimentos realizados”.
A unidade acrescentou que entrará em contato com a família “para acolher a demanda apresentada” e que o caso será analisado internamente “pelas áreas competentes, com a devida seriedade e transparência junto à família”.
A Santa Casa também informou que segue o fluxo determinado pelo Ministério da Saúde e que todos os casos de dengue identificados no hospital são notificados aos órgãos competentes.
Caso ainda é investigado pelas autoridades
Até o momento, o caso ainda não aparece nos painéis oficiais da Prefeitura de São José dos Campos e do Governo do Estado de São Paulo como óbito confirmado por dengue.
Os dados mais recentes apontam uma morte confirmada pela doença na cidade em 2026, além de outros casos em investigação. Segundo os números oficiais, São José registra 767 casos positivos de dengue neste ano, sendo cinco classificados como graves.
Família também cobra ação contra possíveis focos
A filha da vítima também criticou a situação de uma cratera aberta nas proximidades do poliesportivo João do Pulo, no Jardim Satélite, bairro onde a família mora.
Segundo ela, obras e buracos na região estariam acumulando água parada, favorecendo a proliferação do mosquito transmissor da dengue. “Minha mãe faleceu por negligência da prefeitura também, pois ela morava em frente a um dos lugares que abriu uma cratera”, afirmou a moradora.