'NÃO É SÓ UM NÚMERO'

VEJA: Gabi morre de dengue em Taubaté; família aponta negligência

Por Xandu Alves | Taubaté
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução

“Tá apertando demais a saudade, como dói não ter você aqui.”

O desabafo emocionado foi publicado pela tatuadora Larissa nas redes sociais após a morte da irmã, Gabriella Caroline Custódio, de 13 anos, vítima de dengue em Taubaté. A cidade decretou situação de epidemia de dengue.

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Em meio à dor da perda, a família afirma que a adolescente foi vítima de negligência médica durante atendimentos realizados na UPA (Unidade de Pronto-Atendimento) Central do município. O caso provocou forte comoção nas redes sociais.

“Minha irmã não era só mais um número”, disse a irmã emocionada.

“Minha irmã não era só um número”

Em um vídeo publicado nas redes sociais, Larissa relatou os últimos dias da irmã e afirmou que Gabriella procurou atendimento médico mais de uma vez antes de morrer.

"Venho com esse vídeo no intuito de expor a negligência médica de Taubaté e alertar outras famílias para que não aconteça o mesmo que houve com a minha irmã! Nada vai trazer ela de volta, mas é revoltante tudo continuar do mesmo jeito, nos tratam como algo descartável. A vida humana nas UPAs de Taubaté perdeu o valor", disse.

Segundo a jovem, Gabriella foi levada à UPA pela primeira vez no dia 1º de abril com sintomas da doença. Ainda de acordo com o relato, mesmo apresentando saturação baixa, a adolescente teria sido diagnosticada inicialmente com gripe e liberada para voltar para casa.

Dois dias depois, a menina retornou à unidade com piora no quadro clínico. A família afirma que médicos apontaram suspeita de dengue, mas mantiveram a orientação de tratamento domiciliar.

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Quadro se agravou rapidamente

Larissa contou que, no dia 7 de abril, Gabriella acordou com as pontas dos dedos arroxeadas e dificuldade para respirar.

Segundo a irmã, uma enfermeira percebeu a gravidade do estado da adolescente e iniciou atendimento com oxigênio após constatar saturação muito baixa. “Quando saiu o raio-x, o pulmão esquerdo já estava praticamente comprometido”, relatou.

A adolescente foi entubada e transferida para o HMUT (Hospital Municipal Universitário de Taubaté), mas morreu no dia seguinte.

De acordo com a família, o laudo apontou broncopneumonia associada ao quadro de dengue.

Prefeitura diz que vai apurar atendimento

Em nota enviada a OVALE, a Prefeitura de Taubaté informou que a Secretaria de Saúde está em posse do prontuário da paciente e irá apurar o caso para verificar os protocolos adotados na UPA Central.

A administração municipal afirmou ainda que diversos exames póstumos realizados pelo Instituto Adolfo Lutz deram resultado positivo para dengue, descartando outras hipóteses sugeridas anteriormente com sintomas semelhantes.

A prefeitura reforçou também que as principais formas de prevenção contra a dengue são o combate aos focos do mosquito e a vacinação de crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos.

Homenagens emocionam redes sociais

As mensagens publicadas pela irmã comovem milhares de pessoas nas redes sociais. “Você foi meu apoio emocional, minha melhor amiga, minha base e estrutura”, escreveu Larissa em uma das homenagens.

Em outro trecho, ela lamenta o futuro interrompido da adolescente. “Você merecia tanto viver. Eu queria te ver crescer e se tornar a mulher maravilhosa que estava se tornando.”

Amigos e familiares também compartilharam fotos, lembranças e mensagens de despedida para Gabriella, descrita como inteligente, educada, forte e cheia de sonhos.

Taubaté enfrenta epidemia de dengue

Gabriella Caroline Custódio foi a segunda morte por dengue confirmada em Taubaté neste ano.

Segundo a Prefeitura, a adolescente morava no Residencial Estoril e morreu no dia 8 de abril. A confirmação da causa da morte ocorreu após exames laboratoriais divulgados no fim do mês.

A primeira morte por dengue em Taubaté foi de um homem de 80 anos, morador do Jardim Gurilândia. Ele morreu em 5 de abril e o óbito foi confirmado oficialmente no dia 23 do mesmo mês.

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