FRAUDE

Clínica de Jacareí é citada em investigação no Fantástico

Por Leandro Vaz | Jacareí
| Tempo de leitura: 3 min
Da redação
Reprodução
Espaço Singular
Espaço Singular

A clínica Espaço Singular, de Jacareí, está entre as unidades citadas em uma investigação da Polícia Civil sobre suspeitas de fraude em tratamentos intensivos para crianças com TEA (Transtorno do Espectro Autista) custeados por planos de saúde.

Segundo a apuração, clínicas que oferecem esse tipo de atendimento são investigadas por suspeita de superfaturamento, falsificação de registros e cobrança por terapias que não teriam sido realizadas. O prejuízo estimado às operadoras de saúde pode chegar a R$ 60 milhões.

Caso foi revelado pelo Fantástico

O caso foi revelado pelo "Fantástico", da Rede Globo, que teve acesso a documentos, auditorias e gravações que apontam divergências entre os atendimentos informados pelas clínicas e os serviços efetivamente prestados aos pacientes.

De acordo com investigadores do Deic, algumas unidades teriam cobrado um volume de sessões muito acima do que foi realmente realizado. Em determinados casos, a quantidade de atendimentos faturados chegaria a ser quase 100 vezes maior do que a registrada pelas famílias.

Um dos exemplos citados envolve um menino de seis anos. A clínica informava ao plano de saúde que ele recebia 416 horas mensais de atendimento. No entanto, o pai relatou que a criança frequentava a unidade apenas uma vez por semana, em sessões de cerca de 50 minutos, totalizando aproximadamente 16 horas por mês.

Assinatura de documentos 

Além das auditorias, relatos de familiares também reforçam as suspeitas. Uma mãe, que preferiu não se identificar, afirmou que era orientada a assinar documentos como se o filho tivesse passado por três sessões em um único dia, quando, segundo ela, apenas uma havia sido realizada.

“Eles dizem que, se for apenas uma sessão, o convênio paga pouco e não compensa manter o profissional. E acabam se aproveitando da fragilidade dos pais, que só querem garantir o tratamento dos filhos”, relatou.

A investigação também apura casos semelhantes em clínicas de outras cidades, como São Paulo e Mogi das Cruzes. Em uma das unidades, registros indicavam que uma criança teria recebido 200 horas de terapia em um único mês, embora a família tenha informado que o atendimento ocorria apenas duas vezes por semana, com sessões de cerca de 40 minutos.

Ex-funcionários de outra clínica investigada disseram à polícia que logins e senhas de aplicativos dos planos de saúde eram usados para registrar presença como se fossem os próprios pacientes. Também há relatos de tentativas de burlar sistemas de reconhecimento facial com fotos das crianças feitas dentro das clínicas.

706 horas de atendimento 

Em um dos casos considerados mais graves, a investigação aponta que uma psicóloga chegou a registrar 706 horas de atendimento em apenas um mês, incluindo 56 horas em um único dia.

Segundo a Polícia Civil, os investigados podem responder por crimes como estelionato, organização criminosa, lavagem de dinheiro e crime contra a saúde pública.

Especialistas afirmam que o impacto das fraudes, caso sejam comprovadas, vai além do prejuízo financeiro. As terapias são consideradas fundamentais para o desenvolvimento de crianças com TEA, e irregularidades nesse tipo de atendimento podem comprometer diretamente a evolução dos pacientes.

Em nota, a defesa dos sócios do Espaço Singular afirmou que eles “jamais compactuaram com qualquer prática em desacordo com a lei”.

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