Adeus, Anthony.
Um bebê de 10 meses morreu na manhã desta segunda-feira (27), por volta das 9h, na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Campo dos Alemães, na zona sul de São José dos Campos. A vítima foi identificada como Anthony Gabriel Souza, morador do bairro Parque dos Ipês.
A morte causou forte comoção. A criança deu entrada na UPA do Campo dos Alemães por volta das 9h, já em estado grave, e não resistiu.
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De acordo com o atestado de óbito, a causa da morte foi asfixia mecânica por sufocação direta, associada à broncoaspiração de conteúdo gástrico.
Família questiona atendimento
Familiares afirmam que o bebê apresentava sintomas havia cerca de duas semanas e havia sido diagnosticado com bronquiolite. Nesse período, Anthony passou por mais de um atendimento médico, sendo medicado e liberado.
Os parentes levantam dúvidas sobre a dosagem de um medicamento, que teria provocado episódios de taquicardia, além de questionarem os procedimentos adotados durante as tentativas de reanimação na unidade.
A hipótese de possível falha no atendimento passou a ser considerada e está sob apuração. Anthony foi enterrado na manhã desta terça-feira (28), sob forte comoção de familiares e amigos.
Prefeitura apura o caso
Em nota, a Prefeitura de São José dos Campos lamentou a morte de Anthony e se solidarizou com a família. A UP nega que tenha havia negligência.
"Segundo a UPA Campo dos Alemães, gerenciada pelo Cejam (Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”), não houve negligência médica e todos os protocolos clínicos foram seguidos.
O bebê A.G.S. foi atendido em três ocasiões na unidade.
No primeiro atendimento, em 21 de abril de 2026, a criança apresentou tosse seca e rouquidão. Estava em bom estado geral, sem febre e sem sinais de gravidade. Recebeu medicação, realizou exame de raio-x do tórax, que não apontou alterações, e apresentou melhora após o atendimento. A criança foi liberada e os pais receberam as orientações médicas para seguirem.
No dia 25 de abril de 2026, retornou à unidade com queixa de náuseas, vômitos e tosse. Foi novamente avaliada, realizou exames e recebeu medicação. Não foram identificados sinais de infecção ou gravidade. Os pais foram orientados sobre os cuidados e os sinais de alerta, com recomendação de retorno em caso de piora.
Já em 27 de abril de 2026, a família retornou à UPA relatando que encontrou a criança desacordada e com coloração arroxeada nas extremidades. A equipe iniciou imediatamente os procedimentos de emergência, com tentativa de reanimação e suporte intensivo.
Apesar de todos os esforços realizados por mais de uma hora, infelizmente não houve resposta e o óbito foi constatado", diz a nota.
Histórico de saúde considerado de risco
Por meio de nota, a Secretaria de Saúde informou que a criança possuía histórico de nascimento prematuro, com 35 semanas de gestação, além de baixo peso ao nascer (2.308 g) e gestação gemelar.
"A gestação foi considerada de alto risco, com intercorrências de saúde materna. Após o nascimento, o bebê apresentou dificuldades iniciais, como baixo tônus muscular e desconforto respiratório, necessitando de suporte especializado e encaminhamento para unidade de terapia intensiva neonatal.
Durante o acompanhamento na Unidade Básica de Saúde, foram registradas dificuldades na continuidade do cuidado, com faltas em consultas de rotina importantes para o desenvolvimento infantil.
Também foram observadas situações que exigem atenção, como:
- atraso no calendário de vacinação;
- não realização de exames de controle indicados;
- introdução precoce de alimentação inadequada;
A Secretaria reforça a importância do acompanhamento regular das crianças nas unidades de saúde, da manutenção da vacinação em dia e do cumprimento das orientações das equipes, especialmente em casos considerados de maior risco", diz a nota.