ASSEMBLEIA GERAL

‘Abusos sexuais são sempre uma tragédia’, diz CNBB em Aparecida

Por Da redação | Aparecida
| Tempo de leitura: 4 min
Gustavo Cabral/A12
Irmã Maria do Desterro, cardeal Jaime Spengler (centro) e dom Wellington Vieira
Irmã Maria do Desterro, cardeal Jaime Spengler (centro) e dom Wellington Vieira

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) classificou como “tragédia” os abusos sexuais contra crianças e adolescentes, sejam eles praticados em ambiente eclesial ou fora dele.

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A declaração é de dom Wellington de Queiroz Vieira, bispo de Cristalândia (TO) e presidente da Comissão Especial para a Tutela de Menores e Adultos Vulneráveis da CNBB. Ele participa da 62ª Assembleia Geral da CNBB no Santuário Nacional de Aparecida nesta terça-feira (21). O evento segue até a próxima sexta-feira (24).

“Os abusos sexuais são sempre uma tragédia, seja em ambiente eclesial ou fora. A pessoa abusada sexualmente carrega marcas por toda a vida”, disse dom Wellington.

“E a Igreja Católica tem olhado esse tema com uma extrema preocupação. Às vezes as pessoas pensam que nós estamos preocupados somente com o nosso ambiente eclesial, sim, nós estamos preocupados com o nosso ambiente eclesial. Ali nós podemos legislar, nós podemos definir políticas de proteção, nós podemos definir protocolos de ações. Mas a Igreja reconhece que o problema é muito mais amplo”, afirmou o bispo.

Que completou: “Então é um trabalho, é um desafio que a CNBB, as nossas dioceses, nossas igrejas particulares, têm e deverão ter sempre este horizonte: a proteção dos menores, a proteção dos vulneráveis”.

Também participaram da entrevista coletiva nesta terça-feira (21) o cardeal Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre e presidente da CNBB e do CELAM e a Irmã Maria do Desterro, presidente da Conferência dos Religiosos do Brasil, responsável por coordenar o núcleo Lux Mundi.

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Proteção de menores

A pauta levada a debate e a reflexão para os bispos no dia de hoje é a política de proteção e cuidado de menores e vulneráveis nos espaços eclesiais.

Dom Jaime destacou que esta é uma questão que exige um trabalho de transparência e humildade, reconhecendo também que este não é um problema novo, mas é um problema urgente.

“É verdade que, mais ou menos há 25 anos, esse tema tem surgido de uma forma bastante forte em vários ambientes. Também é verdade que se faz um trabalho, ou se está desenvolvendo um trabalho em vista não só da proteção comunal, mas também da consciência social e eclesial em torno dessa questão, precisamos trabalhar a questão da prevenção”, afirmou o presidente da CNBB.

Na coletiva, Irmã Maria do Desterro falou sobre a assinatura do Protocolo de Intenções entre a Pontifícia Comissão de Tutela de Menores, a CNBB e a Conferência dos Religiosos do Brasil. Ela destacou o chamado do papa Francisco para a missão da Igreja no combate aos abusos de menores e vulneráveis.

“Providencialmente, hoje, quando celebramos o primeiro ano da Páscoa do Papa Francisco, ele quem nos convidou a abraçar essa causa. Nós hoje assinamos esse protocolo de intenções entre as nossas conferências e para lembrar que, de fato, esse tema é sempre uma ferida na nossa vida, na vida das nossas famílias e que também é algo que importa para toda a vida consagrada”, disse a religiosa.

“Nós, como vida religiosa consagrada, há cinco anos estamos empenhados, através do Núcleo Lux Mundi, nessa procura e nessa busca para ajudar nossas comunidades, o Brasil todo, todas as congregações a enfrentar esse dilema que também nos atinge”, afirmou.

Papa Francisco

“O papa Francisco, como sabemos, é uma das pessoas que a gente imagina que só aparece a cada cem anos, pelo legado que ele nos deixou, pela inspiração e pelo protagonismo testemunhal dele, em todos os sentidos. Francisco nos deixou esse legado da promoção da vida, e quando ele dizia ‘todos, todos, todos’, ninguém pode ficar de fora, e nesse sentido, o testemunho dele tem nos acompanhado, sobretudo no sentido da promoção da vida.”

A religiosa ainda destacou que o papa Leão 14, quando diz que precisamos de uma “paz desarmante e desarmada”, dá continuidade a esse legado de Francisco. Ela explica que a violência não vem somente com ações e agressões, mas também com palavras e a missão da Igreja está em cuidar de todos.

Sobre o acordo assinado, o cardeal Jaime Spengler explicou que ele reforça o compromisso e também amplia os horizontes das ações já realizadas pela Igreja no Brasil.

“A Igreja já vem desenvolvendo esse trabalho já há alguns anos entre nós e de uma forma muito incisiva. Eu creio que a maioria absoluta de nossas Dioceses no Brasil já estabeleceram suas comissões, estão desenvolvendo o trabalho não só no acolhimento de denúncias, mas também no aspecto da formação, da prevenção e o mesmo vale para a vida consagrada. O que nós hoje assinamos, eu diria que não estamos partindo do nada, existe um trabalho muito vigoroso sendo realizado em diferentes realidades eclesiais do nosso Brasil.”

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