OPINIÃO

Cadê o recurso? Crianças e idosos deixados de lado

Por Senna (PL) | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Vereador em São José dos Campos
Divulgação
Vereador Senna (PL)
Vereador Senna (PL)

Existem temas na gestão pública que não permitem silêncio. Quando se trata de recursos destinados às crianças, aos adolescentes e aos idosos, a responsabilidade é ainda maior — e o cuidado precisa ser absoluto.

Nos últimos dias, um fato grave ganhou destaque em São José dos Campos: a atuação do Ministério Público Federal resultou em decisão judicial impedindo a desvinculação de recursos dos Fundos Municipais da Criança e do Adolescente e do Idoso. Faço aqui o devido reconhecimento ao Ministério Público, que cumpriu seu papel ao proteger recursos que possuem destinação legal específica.

Esses valores não são comuns. São recursos que o próprio contribuinte escolhe destinar, por meio do Imposto de Renda, para apoiar projetos sociais, fortalecer entidades e garantir políticas públicas voltadas a quem mais precisa. Não cabe interpretação ampla quando a finalidade já está definida: esse dinheiro tem endereço certo.

Diante desse cenário, apresentei requerimento de informações à Prefeitura Municipal, aprovado pela Câmara, solicitando esclarecimentos detalhados sobre a gestão, movimentação e eventual desvinculação desses recursos. O objetivo é simples e direto: garantir transparência e assegurar que tudo esteja sendo conduzido dentro da legalidade e, principalmente, da finalidade para a qual esses fundos foram criados.

Ao mesmo tempo, levei o tema ao debate público, porque esse não é um assunto que pode ficar restrito aos gabinetes. A cidade precisa compreender o que está acontecendo e acompanhar de perto.

Enquanto isso, a realidade nas entidades chama atenção. Projetos importantes deixaram de avançar. Iniciativas voltadas ao atendimento de pessoas com autismo, apoio a crianças com síndrome de Down e ações voltadas aos idosos enfrentaram dificuldades ou não saíram do papel por falta de recursos. E isso precisa ser enfrentado com seriedade.

É importante deixar claro: os Conselhos Municipais — tanto o CMDCA quanto o CMDDPI — não podem ser responsabilizados por esse cenário. São órgãos fundamentais, compostos por representantes da sociedade civil e do poder público, que exercem papel relevante na deliberação e fiscalização das políticas públicas. O que se busca aqui é esclarecer a gestão administrativa dos recursos e garantir que as decisões respeitem integralmente a finalidade legal dos fundos.

Outro ponto que não pode ser ignorado é a denúncia trazida à tribuna da Câmara pelo vereador Sérgio Camargo, relatando possível pressão e ameaça de corte de recursos a uma entidade. Trata-se de uma denúncia séria, que precisa ser apurada com responsabilidade e transparência. Recursos públicos não podem, em hipótese alguma, ser utilizados como instrumento de pressão.

A administração pública deve ser conduzida com base em princípios republicanos. Isso significa respeito às instituições, às entidades, aos conselhos e, principalmente, à população.

Meu papel como vereador é fiscalizar, questionar e garantir que as políticas públicas cumpram sua finalidade. Não se trata de confronto, mas de responsabilidade. Quando o assunto envolve crianças, adolescentes e idosos, não há espaço para dúvidas ou omissões.

A decisão judicial foi um passo importante, mas não encerra o assunto. É preciso avançar, esclarecer os fatos, garantir total transparência e, se necessário, corrigir caminhos.

No fim, a pergunta que precisa ser respondida é simples e objetiva:

Se o recurso foi destinado para cuidar de quem mais precisa, ele está chegando onde deveria?"

Senna é vereador pelo PL em São José dos Campos

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