TRAGÉDIA

'Não sobrevive', disse tenente-coronel do Vale; esposa agonizava

Por Da Redação | São Paulo
| Tempo de leitura: 3 min
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Geraldo Neto e Gisele Alves
Geraldo Neto e Gisele Alves

Uma testemunha afirmou à Polícia Civil que o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto declarou que a esposa, a soldado Gisele Alves Santana, “não vai sobreviver” após ela ser encontrada baleada na cabeça dentro do apartamento onde moravam. A fala teria sido feita enquanto socorristas ainda tentavam salvar a policial, que apresentava sinais de vida.

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O caso ocorreu em 18 de fevereiro, em um apartamento na região do Brás, no centro de São Paulo. Gisele, de 32 anos, foi encontrada ferida dentro do imóvel e levada em estado gravíssimo ao Hospital das Clínicas, onde morreu horas depois.

O relato foi feito pela inspetora de condomínio Fabiana Pereira, em depoimento à Polícia Civil. Segundo ela, ao chegar ao andar do apartamento após perceber a movimentação de equipes de resgate no prédio, encontrou o oficial caminhando de um lado para o outro no corredor.

Fabiana contou que o coronel estava sem camisa e não apresentava manchas de sangue nas mãos ou no corpo. Ele teria dito que a esposa “se deu um tiro”.

Ao se aproximar da porta do apartamento, a inspetora afirmou ter visto a policial caída no chão e cercada por grande quantidade de sangue, enquanto socorristas realizavam manobras de reanimação.

Ainda no corredor, a testemunha disse que o coronel falava ao telefone com uma pessoa a quem se referia como “excelência”. A reportagem apurou que se tratava do desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo, amigo do oficial, que posteriormente foi ao local.

Durante a ligação, segundo o depoimento, o militar repetia que estava no banho quando ouviu um barulho e, ao sair do banheiro, encontrou a esposa ferida.

Minutos depois, uma policial informou ao coronel que Gisele ainda estava viva e recebia atendimento médico dentro do apartamento. Foi nesse momento que, de acordo com a inspetora, ele reagiu afirmando: “Com o tiro que ela levou, não vai sobreviver.”

A ocorrência foi registrada por volta das 7h57, após o Copom (Centro de Operações da Polícia Militar) receber a informação de que uma policial havia sido atingida por um disparo na cabeça. Uma vizinha do mesmo andar relatou ter acordado com o barulho do tiro por volta das 7h30.

Equipes de resgate foram enviadas ao local e iniciaram os procedimentos de socorro. Gisele foi levada ao Hospital das Clínicas, mas morreu às 12h04, conforme o atestado de óbito.

De acordo com a investigação, o tenente-coronel era a única pessoa no apartamento no momento do disparo. O caso, inicialmente tratado como suicídio, passou a ser investigado como morte suspeita.

A arma utilizada no disparo pertenceria a ele, que já atuou no Vale do Paraíba, em São José dos Campos e Taubaté.

Exumação do corpo

Gisele teve seu corpo exumado desde esse sábado. Isso acontece após autorização da Justiça de São Paulo, que cumpre um pedido da Polícia Civil e do MP (Ministério Público). Na sexta, os peritos já iniciariam a retirada dos restos mortais da policial do cemitério onde foi enterrada, em Suzano, na Grande São Paulo.

Os resultados dos exames serão encaminhados posteriormente para o 8º Distrito Policial, no Brás, na capital, que investiga o caso.

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