O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), André Mendonça, determinou na noite desta quinta-feira (5) a transferência do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, da Penitenciária 2 de Potim, no Vale do Paraíba, para a Penitenciária Federal de Brasília, considerada de segurança máxima.
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A decisão atende a um pedido da Polícia Federal, que alegou a necessidade de garantir a integridade física do investigado e evitar riscos à segurança pública.
Segundo os investigadores, Vorcaro possui elevada capacidade de articulação e influência em diferentes esferas do poder público e do setor privado.
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Transferência após chegada ao Vale
Vorcaro havia sido transferido na manhã desta quinta-feira (5) para a penitenciária localizada em Potim, onde inicialmente cumpriria um período de isolamento de dez dias, procedimento padrão adotado pela SAP (Secretaria de Administração Penitenciária) na chegada de novos detentos.
No entanto, diante da sensibilidade da investigação e do perfil do preso, a Polícia Federal solicitou ao STF a remoção para o sistema penitenciário federal.
Na decisão, Mendonça afirmou que os elementos reunidos pela investigação apontam risco à segurança pública caso o investigado permaneça em um presídio estadual.
A defesa de Vorcaro afirmou que o banqueiro “sempre esteve à disposição das autoridades” e que nunca tentou obstruir as investigações.
“Presídio dos famosos” no Vale
A penitenciária de Potim passou recentemente a receber detentos que antes ficavam na Penitenciária 2 de Tremembé, conhecida nacionalmente como o “presídio dos famosos”. Com mudanças promovidas pelo governo estadual, a unidade do Vale passou a concentrar presos ligados a casos de grande repercussão.
Entre os detentos que já passaram ou passaram a cumprir pena na unidade estão o ex-médico Roger Abdelmassih, o empresário Sérgio Nahas e Fernando Sastre.
Inaugurada em 2002, a penitenciária tem capacidade para 844 presos e atualmente abriga cerca de 472 detentos, segundo dados da Secretaria de Administração Penitenciária.
Investigação da Polícia Federal
Vorcaro foi preso preventivamente na quarta-feira (4) por determinação do ministro Mendonça, relator do caso no STF. A prisão faz parte da terceira fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.
Segundo os investigadores, o banqueiro é suspeito de integrar um esquema bilionário que envolve crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, ameaças, invasão de dispositivos informáticos e fraudes financeiras.
Milícia privada
Na decisão que autorizou a operação, Mendonça afirma que os indícios reunidos pela investigação vão além de crimes financeiros e apontam a existência de uma espécie de “milícia privada”, que teria sido utilizada para intimidar opositores e interferir em investigações.
Além das prisões, a operação também determinou o bloqueio e sequestro de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões, com o objetivo de interromper movimentações financeiras suspeitas e preservar valores potencialmente ligados aos crimes investigados.