A Polícia Civil investiga o assassinato do contador Wagner Eduardo dos Santos Prado, de 43 anos, morto a tiros na manhã de segunda-feira (26) dentro de um apartamento no Parque Residencial Aquarius, área nobre de São José dos Campos. O autor do disparo é o policial civil aposentado Zueber Pasqualino Grieco, de 67 anos, preso em flagrante. Ele alega legítima defesa.
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Parentes de Wagner contestam a versão apresentada pela defesa do acusado e afirmam que a vítima estava desarmada no momento do crime. Segundo uma familiar, que falou à reportagem, Wagner deixa um filho de 9 anos com transtorno do espectro autista, e a família vive um momento de profunda dor.
“Nossa família pede justiça. Ele estava desarmado”, afirmou a parente, que também informou que a ex-esposa de Wagner viajou nesta terça-feira (27) a São José dos Campos para realizar o reconhecimento e a liberação do corpo.
Quem era Wagner.
De acordo com familiares e amigos, Wagner era contador, descrito como um homem discreto, trabalhador e dedicado à família. Ele havia iniciado um relacionamento há cerca de 15 dias com a mulher que estava no apartamento no momento do crime. A morte causou forte comoção entre parentes e pessoas próximas.
Como aconteceu o crime.
A Polícia Militar foi acionada via Copom por volta das 8h45 para atender a uma ocorrência de disparo de arma de fogo. Com autorização da síndica, os policiais entraram no condomínio. O próprio autor abriu a porta do apartamento, foi desarmado e permaneceu no local até a chegada das equipes.
Dentro de um dos quartos, Wagner foi encontrado já sem vida, atingido por um tiro no peito. A arma utilizada no crime, uma pistola calibre .40 de uso restrito, foi apreendida, assim como celulares e outros objetos que serão analisados pela investigação.
Relatos e versões divergentes.
Em depoimento, a ex-esposa do policial afirmou que estava em processo de separação e mantinha relacionamento com Wagner havia cerca de 15 dias. Ela relatou que vinha recebendo ligações insistentes do ex-marido e que, na manhã do crime, ele teria sido informado de que ela não estava sozinha no imóvel.
Segundo o relato, o policial entrou armado no quarto enquanto o casal dormia. Wagner acordou durante a ação, houve uma discussão e, em seguida, o disparo fatal. A mulher afirmou ainda que já havia sido ameaçada anteriormente pelo ex-marido.
O filho do casal, que estava no apartamento, confirmou que houve discussão, mas declarou que Wagner teria avançado contra o pai. Já o policial civil alegou que desconhecia o relacionamento, afirmou que houve luta corporal e sustentou que o disparo ocorreu de forma acidental, dizendo temer ser desarmado.
Investigação.
A Polícia Civil vai analisar as versões conflitantes, a dinâmica do crime, possíveis ameaças anteriores e a alegação de legítima defesa. Informações extraoficiais indicam que, após o disparo, o policial teria apontado a arma para a ex-esposa, sendo impedido pelo filho — ponto que ainda não consta formalmente no boletim de ocorrência e será apurado.
Zueber Pasqualino Grieco permanece preso à disposição da Justiça. O caso segue sob investigação no Complexo Policial Judiciário de São José dos Campos.