O julgamento dos suspeitos de envolvimento no assassinato do peão de rodeio Matheus Expedito de Campos, 24 anos, de Lagoinha, que começou na quarta-feira (21), foi encerrado após 12 testemunhas terem sido ouvidas e os réus interrogados.
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Em nota, o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) informou que "foi dado prazo para que as partes apresentem suas alegações finais por escrito (memoriais) e, após essa etapa, será decidido se os réus serão ou não submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri (júri popular)".
O TJ-SP explicou que foi dado um prazo para que acusação e defesa apresentem alegações finais por escrito antes de definir os próximos passos.
A audiência foi realizada no fórum de São Luiz do Paraitinga, em portas fechadas, sem a presença do público. Essa fase do processo é destinada à produção de provas e à oitiva das partes, servindo de base para a decisão judicial sobre a possibilidade de julgamento pelo júri popular.
O Ministério Público e as defesas devem apresentar suas alegações finais por escrito. Após a análise delas, o juiz decidirá se os acusados serão levados a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Quatro homens são réus por envolvimento no crime: Rodrigo Joaquin Martins e Gabriel Querino Siqueira, ambos acusados de receber R$ 1 mil pela execução do crime, Jorge Márcio Marcondes, apontado como mandante do crime, e Fábio Pereira Marcondes, que é irmão de Jorge e presidente da Câmara de Lagoinha, que foi acusado de ser responsável pela transferência do dinheiro para os executores.
A defesa de Jorge e Fábio alega que eles não têm envolvimento com o crime e diz que vão provocar a inocência dos irmãos. O advogado de Rodrigo disse que não é possível comentar provas, versões ou estratégias defensivas, em razão de o processo tramitar em segredo de justiça. A defesa de Gabriel foi na mesma linha.
O crime
Matheus era peão e foi executado com tiros à queima-roupa na manhã de 30 de abril do ano passado, no centro de Lagoinha, após sair de uma pastelaria. A Polícia Civil investigou se o crime tinha relação com ameaças anteriores atribuídas a um desafeto da vítima.
De acordo com o boletim de ocorrência, registrado na Delegacia de Polícia de Lagoinha, o crime aconteceu às 9h58 de 30 de abril de 2025.
Uma testemunha que estava com Matheus momentos antes do assassinato contou que os dois tinham acabado de tomar café em uma pastelaria e seguiam para uma borracharia onde a vítima trabalhava.
Quando se despediam, uma motocicleta Honda CG 125 verde, sem placa, se aproximou. Dois indivíduos estavam no veículo: o condutor era mais velho e forte. O garupa era mais jovem, com cerca de 23 a 24 anos. Este desceu, perguntou se o nome da vítima era Matheus, e, antes mesmo de obter resposta, sacou um revólver calibre .38 e efetuou os disparos.
A vítima ainda tentou correr para dentro de uma loja vizinha, mas foi atingida e caiu. Um amigo socorreu Matheus, levando-o até uma unidade de atendimento em um carro emprestado, mas ele não resistiu.
O pai da vítima relatou à polícia que Matheus teria desferido uma facada em um homem, figura com extensa ficha criminal. Após o episódio, ameaças de morte contra Matheus teriam se espalhado pela cidade. No dia do crime, segundo informações colhidas, o desafeto estaria circulando por Lagoinha.
Denúncia
O Ministério Público denunciou que o assassinato de Matheus foi motivado por vingança, após uma briga entre Jorge e o peão. Jorge teria contratado dois executores para o crime, Rodrigo e Gabriel, mediante pagamento de R$ 1 mil.
Ainda segundo a denúncia do MP, Jorge pediu que seu irmão, o vereador Sueco (Fábio Pereira Marcondes), fizesse a transferência bancária a um dos executores, o que foi atestado na investigação da Polícia Civil.