CRIME

Polícia investiga morte de cachorro em pet shop de São José

Por Leandro Vaz | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 5 min
Da redação
Reprodução
Bruce
Bruce

A Polícia Civil instaurou investigação para apurar a morte de um cão ocorrida em um pet shop localizado na Avenida Andrômeda, no bairro Jardim Satélite, na zona sul de de São José dos Campos. O caso é tratado como crime de maus-tratos contra animal.

De acordo com o boletim de ocorrência, registrado no 7º DP (Distrito Policial), a tutora levou três cães ao estabelecimento conhecido como “Cia do Tosador” na tarde do dia 24 de outubro de 2025 para a realização de banho. Os animais seriam retirados por volta das 15h30, mas o proprietário só conseguiu chegar ao local por volta das 17h10.

Ao entrar no pet shop, a tutora  encontrou o bulldog francês Bruce, de nove meses, desacordado sobre uma mesa. Os outros dois cães, Tony, de 12 anos, e T’Challa, de cinco anos, ambos da raça pug, apresentavam sinais de estresse e medo. Segundo a tutora, as funcionárias do local não demonstraram preocupação com o estado do animal, continuando inclusive a oferecer serviços enquanto o cachorro permanecia inconsciente.

Uma das funcionárias afirmou que o animal estaria apenas urinando, mas ao ser colocado no chão, Bruce não conseguiu se manter em pé e caiu. Diante da situação, e informada de que não havia veterinário no estabelecimento, a tutora levou o cão às pressas a uma clínica veterinária. Durante o trajeto, Bruce começou a sangrar pela boca e, apesar de ter chegado com vida, morreu cerca de 20 minutos depois.

Posteriormente, a tutora foi informado de que o cão havia sido colocado em uma secadora conhecida como “Saara Turbo Jet”, equipamento que, segundo especialistas, é contraindicado para raças braquicefálicas, como o bulldog francês, devido ao alto risco de hipertermia e insuficiência respiratória.

Ainda conforme o registro policial, os outros dois cães também passaram mal e precisaram de internação, permanecendo cerca de três dias sob cuidados veterinários.

O corpo do animal passou por exame necroscópico, que apontou sinais compatíveis com maus-tratos. O laudo revelou quadro de congestão pulmonar severa, hemorragias, hipertermia, falência respiratória e alterações em órgãos como fígado e rins, indicando distúrbio circulatório grave. O exame acrescenta que a exposição a ambiente fechado, quente e estressante teria provocado hiperventilação, colapso respiratório e, por fim, a morte do cão por insuficiência respiratória aguda.

O exame histopatológico confirmou lesões internas e hemorragias, reforçando a suspeita de abuso e negligência durante o procedimento de banho.

A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as responsabilidades pelo ocorrido. O pet shop foi formalmente citado como investigado e poderá responder criminalmente caso sejam confirmadas as irregularidades. O caso segue sob investigação.

A empresa. 

Em nota, a Cia do Tosador deu sua versão ao fato. "A CIA DO TOSADOR, empresa com 18 anos de atuação sólida no mercado, vem a público manifestar seu profundo pesar pelo falecimento do cão Bruce. Contudo, faz-se necessário restabelecer a verdade dos fatos com base em dados técnicos e cronológicos. Diferentemente do veiculado, o animal não foi submetido a equipamento de calor excessivo ("Secadora Saara Turbo Jet"). O procedimento foi realizado com uma máquina de secagem da marca Ômega Pet, que opera exclusivamente por ventilação (sem geração de calor). Este equipamento é homologado, seguro e indicado pelo fabricante para o bem-estar animal, inclusive para raças braquicefálicas (focinho curto), anulando riscos térmicos. O cão Bruce permaneceu no equipamento por menos de 10 minutos. Vale ressaltar que Bruce e os outros dois cães da família já haviam realizado o mesmo procedimento, no mesmo equipamento, em datas anteriores (25/06 e 09/07), sem qualquer intercorrência. No dia dos fatos, 24 de outubro de 2025, O banho foi iniciado às 13h20 e concluído às 14h20. A empresa notificou a tutora para retirada às 14h34, 15h18, (mensagens) e às 16h24, 16h25 e 16h26 (ligações), sem sucesso. O retorno da tutora ocorreu apenas às 16h38, com a retirada do pet após as 17h00. Não consta nos registros da empresa qualquer aviso prévio por parte da tutora sobre condições de saúde preexistentes ou restrições do pet. Durante a permanência no local, Bruce não apresentou anomalias. O mal-estar relatado iniciou-se já no momento da entrega, nos braços dos tutores. Ao notarem a situação, as funcionárias sugeriram imediato socorro em clínica veterinária localizada a menos de 5 minutos do local. Contrariando a recomendação de urgência, os tutores optaram por deslocar-se ao centro da cidade, em horário de pico, num trajeto de aproximadamente 25 minutos. Bruce saiu do estabelecimento com vida. Quanto à alegação de que os outros dois cães foram internados, a Cia do Tosador esclarece que não foi comunicada oficialmente sobre tal fato, nem apresentada documentação veterinária que comprove nexo causal com o serviço prestado. No dia do ocorrido, os outros dois pets passaram pelo processo sem apresentar qualquer reação adversa dentro do estabelecimento. É inverídica a informação de que a empresa já foi "citada" ou que existe um Inquérito Policial iniciado. Até o momento, existe apenas um Boletim de Ocorrência (unilateral), baseado exclusivamente na versão dos declarantes (tutores). O laudo de necropsia em nenhum momento menciona que houve maus tratos, ao que parece, sugere alterações fisiológicas, mas a defesa aguarda acesso oficial para análise técnica. A Cia do Tosador é uma empresa independente que opera dentro da unidade PetCamp do Shopping Vale Sul.  O serviço é realizado em área climatizada, com total visibilidade ao público, em um local de grande circulação de pessoas. A empresa repudia veementemente qualquer acusação de negligência ou crueldade e coloca-se à inteira disposição das autoridades competentes para a rigorosa apuração dos fatos, confiante de que a verdade prevalecerá", diz a empresa.

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