O delegado que investiga a morte do jovem Matheus Helfstein, de 20 anos, morto em um acidente na rodovia Presidente Dutra, em São José dos Campos, pediu a prisão preventiva do motorista da BMW envolvido no caso.
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O pedido de preventiva (prisão sem prazo determinado para acabar) foi solicitado pelo delegado titular do 1º Distrito Policial, Reinaldo Checa Júnior, na manhã de sexta-feira (14).
O motorista Heitor Rabelo Stetner foi preso na manhã do dia 22 de outubro, depois da Justiça determinar a prisão temporária dele por 30 dias. Este prazo encerra-se na próxima quinta-feira (20). O motorista da BMW está preso na cadeia pública de Caçapava.
Heitor era o motorista da BMW que atingiu um Honda Fit, na marginal da Via Dutra, em São José dos Campos, na madrugada de 28 de setembro, e cuja colisão matou o jovem Matheus. O inquérito aponta consumo de bebidas até a madrugada do acidente, por Heitor, e “dolo eventual” pela velocidade antes do impacto.
Provas.
Os investigadores do 1º DP fizeram minuciosa colheita de provas e representaram pela prisão. De acordo com a Polícia Civil, a noite que terminou no acidente começou horas antes, quando o investigado consumiu bebidas alcoólicas em uma casa noturna da cidade, entre 1h e 4h30, somando R$ 2.525 em uísque e champanhe, conforme comanda anexada ao inquérito e relatos de duas testemunhas protegidas que o acompanhavam.
Imagens e medições de trajeto analisadas pela polícia compõem uma cronologia da condução do veículo. Num trecho de 5.350 metros, a BMW levou 2 minutos e 40 segundos, o que corresponde à média de 118 km/h, segundo cálculo anexado aos autos.
Mais perto do ponto do impacto, os investigadores isolaram um segmento de 740 metros percorrido em aproximadamente 16 segundos — média de 166,5 km/h, valor que a autoridade descreve como “a velocidade (ou bem próximo a isso) no momento do impacto”.
Na peça encaminhada ao Judiciário, o delegado do 1º DP afirma haver indícios robustos de homicídio doloso, na modalidade de dolo eventual, além de risco de o investigado “articular versões, destruir provas ou evadir-se” caso permanecesse solto.
Dolo eventual.
Em crimes de trânsito, “dolo eventual” é quando o condutor assume o risco de produzir o resultado ao dirigir de modo tão perigoso que a morte passa a ser um desfecho previsível — tese que, se confirmada, afasta o enquadramento como homicídio culposo do CTB e eleva a pena prevista no Código Penal.
Na representação, a autoridade descreve o caso como uma “trajetória de deliberada assunção de risco” que teria começado horas antes do acidente.
A reportagem fez contato com Cristiano Joukhadar, advogado de Heitor Rabelo Stetner. O defensor disse que no momento não havia uma posição sobre o pedido de prisão preventiva do investigado.