O combate ao PCC (Primeiro Comando da Capital), maior e mais temida facção criminosa do país, tem apostado em atacar o caixa do grupo, ou seja, as suas finanças.
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Quem faz o alerta é o promotor de justiça Alexandre Castilho, membro do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público.
“Não basta realizar denúncias por lavagem de dinheiro, a gente precisa recuperar o ativo, a gente precisa bloquear, precisa confiscar esses valores, a gente precisa tirar essa capacidade que eles têm de se reestruturar”, disse.
“Nós começamos esses trabalhos dessa forma, de investigar a lavagem de dinheiro, por onde circula”, completou Castilho.
Atacar as finanças, segundo ele, é uma forma de reduzir a capacidade de o PCC se reorganizar quando perder ativos e membros.
“Essa virada de chave nós fizemos com a Operação Shark. Porque as instituições são boas em desarticular, mas o crime se rearticula. Então, se você prende 20, vão surgir mais 20, porque você não desestruturou financeiramente essas pessoas. A estrutura ela se realimenta”, explicou o promotor.
“Então, nós aplicamos essa forma de atuação, porque não basta desarticular, não basta combater a corrupção, porque sempre tem a corrupção de servidores públicos. Onde há crime organizado, há corrupção de servidores públicos.”
Segundo ele, a facção criminosa utiliza-se da venda de veículos como forma de lavar dinheiro no Vale do Paraíba.
“Muitos criminosos vendem veículos. Às vezes surge uma loja de veículos de luxo do nada, sem lastro, sem origem, E a gente faz, às vezes, investigações e a gente descobre que tem muitos veículos que são colocados nas lojas, são veículos de traficantes. Forma de lavar dinheiro.”
Além disso, a organização criminosa também compra imóveis em nome de terceiros. “Eles usam muito laranjas, e você tem que fazer uma investigação para estabelecer vínculo entre essas pessoas. Nós vimos a questão das fintechs.”
OVALE Cast contou com a participação do editor-chefe de OVALE, Guilhermo Codazzi, e do repórter especial Xandu Alves. O episódio está disponível nos canais de OVALE no Youtube Spotify, além das redes sociais e no site do jornal.