O número de uniões consensuais cresceu oito vezes acima dos casamentos civis e religiosos no Vale do Paraíba em 12 anos, segundo levantamento divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira (5).
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Em 2010, o número de uniões consensuais na região era de 266.572, o que representava 26,88% do total das uniões conjugais. Em 2022, o número subiu para 330.347, um aumento de 24%, passando a representar 28,65% do total de uniões conjugais.
Os casamentos no religioso e no civil passaram de 557.769 para 574.525, um crescimento de apenas 3%, oito vezes menos do que aumento a união consensual. A participação dos casamentos civis e religiosos no total das uniões conjugais caiu de 56,25% em 2010 para 49,82% em 2022.
Viver com um parceiro sem casar é o que o IBGE chama de união consensual. São casais que residem juntos e que declaram ter uma relação diferente do matrimônio, incluindo a união estável registrada em cartório, conforme o instituto.
Há outros dois estratos menos numerosos investigados na pesquisa. Um deles envolve as pessoas que tinham apenas casamento civil, cuja proporção aumentou de 15,45% em 2010 para 20,46% em 2022.
A outra parcela abrange as pessoas que contavam somente com o casamento religioso. Essa camada encolheu de 1,41% em 2010 para 1,06% em 2022.
Cidades.
Em São José dos Campos, os casamentos no civil e religioso passaram de 171.671 em 2010 para 174.851 em 2022, um crescimento de 1,85%. Esses casais representavam 61% do total de uniões conjugais há 12 anos e tornaram-se 54% do total em 2022.
As uniões consensuais passaram de 65.604 para 82.904 em São José, um aumento de 26,37%. A participação no total de uniões conjugais cresceu de 23,31% para 25,61%.
Movimento semelhante ocorreu em Taubaté. Os casamentos no religioso e civil subiram de 71.285 para 75.708, alta de 6,20%. O percentual caiu de 59,52% da totalidade para 52,68%.
Já as uniões consensuais aumentaram de 27.875 para 37.854, um salto de 35,80%. A representatividade desse estrato no total de uniões conjugais passou de 23,27% para 26,34%.
Brasil.
No Brasil, esse tipo de relacionamento tornou-se o mais frequente, superando os casamentos no religioso e no civil. É a primeira vez que isso acontece em um recorte divulgado pelo IBGE com dados a partir do Censo 1960.
O grupo com casamento no cartório e na igreja recuou de 42,9% em 2010 para 37,9% em 2022. Na contramão, o percentual de pessoas em união consensual passou de 36,4% para 38,9%.
Todos os dados levam em consideração a população de dez anos ou mais em alguma relação conjugal. A legislação brasileira, contudo, só permite casamentos a partir dos 16 anos, dependendo de autorização dos pais ou responsáveis antes dos 18.
“O aumento na proporção de uniões consensuais reforça as mudanças comportamentais que têm sido experimentadas na sociedade brasileira, quando as uniões no civil e religioso vêm perdendo espaço para as uniões não formalizadas. No entanto, vale ressaltar que as uniões consensuais podem ser registradas em cartório ou não”, disse Luciene Longo, analista da pesquisa.