Remarcada para o final de novembro, a Flim (Festa Literomusical) de São José dos Campos ainda gera críticas após o cancelamento da participação da escritora e jornalista Milly Lacombe, que culminou na desistência da maioria dos convidados e da suspensão do evento, em setembro.
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A programação foi revista e terá menos convidados de fora e mais gente de São José dos Campos e da região, com menos chance de gerar “polêmica” nos debates, como pediu o prefeito de São José dos Campos, Anderson Farias (PSD).
O mandatário vetou a participação de Milly, que faria a mesa de abertura do evento, após críticas dela à “família tradicional brasileira”. Com isso, 16 convidados desistiram de participar da Flim, que precisou ser adiada. A festa vai acontecer de 28 a 30 de novembro, no Parque Vicentina Aranha, região central de São José.
O novo formato “mais caseiro” foi antecipado por Anderson em 19 de setembro, em vídeo divulgado nas redes sociais. Na ocasião, ele sinalizou por mudanças na configuração da Flim.
“Nós achamos melhor marcar uma nova data, até para que a gente possa reestruturar, da própria coordenação, de todos que irão participar. Foi a minha solicitação que a gente dê mais espaços pros nossos artistas da cidade, da região do Vale do Paraíba, que a gente possa dar espaço para eles”, afirmou.
'Retrocesso'.
No entanto, o veto a Milly ainda reverbera em membros da cena cultural de São José, que veem um “retrocesso” na Flim após o que consideram um “ato de censura” de Anderson.
“Olha, eu acho sim que foi um enorme retrocesso não permitir a fala divergente. Não é o primeiro episódio de censura na cultura local”, disse uma cantora da cidade, que pediu para não ser identificada.
Em comentário nas redes sociais, a professora Fabíola Maciel disse que “já era a Flim”. “Se meteram em algo que não conheciam nada. A Curadora fez um trabalho lindo e organizado. Prefeito acabou e será útil para confrontá-lo nos debates eleitorais. Feira Literária tem a ver com diversidade cultural e educação, coisa que este prefeito e estes vereadores não possuem”, escreveu.
Para o artista George Furlan, o veto a Milly e a “nova Flim” são parte de uma “estratégia de poder”, para “desmontar instituições que sempre foram motivo de orgulho e consideradas modelos, precarizar trabalhadores, cortar verba da cultura e transformar autarquia em puxadinho do gabinete”.
“Achou [o prefeito] que era rei, mas no fundo tá mais pra vilão de novela das sete: autoritário, caricato e sem a menor noção de democracia”, escreveu ele sobre o episódio de veto à jornalista.
Ainda pelas redes, o novo formato recebeu mais críticas. “Já deu pra ver que esse evento se tornou tão importante quanto buzina de avião”, escreveu José Benedito.
OVALE ouviu de outras pessoas ligadas ao movimento cultural de São José que o formato com menos convidados de fora tende a marcar a Flim como “provinciana”, sem destaque e projeção que "participantes de peso” poderiam dar ao evento. Mas também há quem apoie uma edição com mais autores de São José e da região.
O escritor e músico Thunder Dellú concorda com a participação de autores locais e disse que o mais importante é a manutenção do festival.
"Eu participei da Flim em alguns anos anteriores e sempre senti um certo descaso com relação aos espaços destinados aos escritores e escritoras locais. Espero que a mudança, apesar de ter sido causada por uma situação bizarra e lamentável, seja para melhorar essa questão. A literatura é sempre maior do que qualquer tipo de censura ou descaso. Vida longa à Flim", afirmou.
Programação.
A 11ª edição da Flim retorna ao lado da 58ª Semana Cassiano Ricardo, cuja programação é integrada à Festa Literomusical pela terceira vez. Ambas serão realizadas no Parque Vicentina Aranha, mas promovidas por entidades diferentes.
A Semana Cassiano Ricardo é um evento organizado pela FCCR (Fundação Cultural Cassiano Ricardo), entidade ligada à Prefeitura de São José. Já a Flim é promovida pela Afac (Associação para o Fomento da Arte e da Cultura), responsável pela gestão do Parque Vicentina Aranha. A entidade divulgou a programação da festa nesta terça-feira (clique aqui).
O apoio para a preparação da nova festa foi da escritora Zenilda Lua e da professora e pesquisadora Sônia Gabriel.
“A Flim para mim é um portal de acesso, é meu espaço preferido de afetos, memórias e interação entre autores, leitores, várias culturas, poesia e oportunidade de aprendizado”, disse Zenilda a OVALE.
"Participo efetivamente da FLIM desde sua 1ª edição, e resolvi dar apoio neste momento porque desejo que os objetivos da Flim sejam mantidos, que ela se perpetue, que as novas gerações continuem tendo acesso a esta festa linda, inclusiva, diversa, contemplativa e plural", completou a artista.
Comentários
1 Comentários
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Roberto Andrade 04/11/2025Retrocesso é acelerar na decadência dessa gente que só pensa em lacrar e destruir valores milenares.