O professor Dr. Marcelo Adorna Fernandes, paleontólogo e docente do Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva da UFSCar, alcançou um feito inédito para o Brasil no cenário da astrofotografia internacional. Uma de suas imagens, a da "Nebulosa Eta Carina", foi a única do país escolhida para compor uma publicação do Royal Observatory Greenwich e está em exposição na Inglaterra. A astrofotografia foi selecionada entre 5.882 imagens enviadas por participantes de 68 países ao redor do mundo no concurso ZW Optics Astronomy Photographer of the Year.
Apenas 140 astrofotografias foram escolhidas para integrar o livro "Astronomy Photographer of the Year" e estão em exposição no Museu Marítimo Nacional em Greenwich, Inglaterra.
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Dedicação à ciência
Há 40 anos, o professor se dedica à astronomia amadora e à divulgação científica como hobby e paixão, unindo sua área de formação, a paleontologia, com a astronomia. “Como paleontólogo sou um estudioso do passado, buscando por fósseis, mas observar o céu também é descortinar o passado, pois a luz que chega aos nossos olhos hoje, levou muito tempo viajando pelo espaço, são fótons fósseis”, diz ele.
Equipamento
As capturas de imagens feitas pelo professor acontecem em um observatório amador no quintal de sua casa em São Carlos, que ele nomeou de KRONOS, em referência ao Deus do Tempo da mitologia grega. O espaço, de pouco mais de 9 metros quadrados e com telhado retrátil, abriga equipamentos como um telescópio refletor newtoniano de foco curto, 250 mm de diâmetro e guiagem motorizada.
Reconhecimento
Ele relata que, há apenas dois anos, começou a obter imagens de "Céu Profundo", capturando a luz de objetos que estão a milhares ou milhões de anos-luz da Terra. Suas imagens já vêm ganhando visibilidade de forma inesperada entre astrônomos amadores e profissionais do mundo todo.
"Eu achei maravilhoso poder figurar entre os astrofotógrafos do mundo. Ser o único brasileiro com uma imagem selecionada pelo Observatório Real de Greenwich, mostrou para mim que um sonho pode se tornar realidade", afirma.
Fernandes ainda acrescenta que o reconhecimento foi uma grande surpresa: "Nunca imaginei que seria capaz de produzir algo tão incrível, como capturar as belezas do Cosmos. Acreditava que apenas grandes observatórios e a própria NASA pudessem fazer algo assim, mas não. Nós amadores também somos capazes de capturar estas cenas espaciais de tirar o fôlego, de galáxias colidindo com explosões estelares."
Sobre as observações que faz a partir do seu quintal, conclui: “O Universo é uma janela para o passado e conseguimos alcançar, de nossos quintais, distâncias inimagináveis onde as estrelas nascem”.
Outra astrofotografia de Fernandes, a da "Nebulosa Cabeça de Golfinho" , também foi escolhida neste ano de 2025 para compor a publicação do Observatório do Valongo, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

