ACIDENTE

SJC: 'Ele viveu pouco, mas viveu feliz', diz mãe de Gustavo

Por Leandro Vaz | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Da redação
Reprodução
Gustavo morreu vítima de acidente
Gustavo morreu vítima de acidente

Em meio à dor e à despedida precoce, uma família de São José dos Campos deu um exemplo de solidariedade e amor ao próximo. Os pais de Gustavo Costa Souza, de apenas 17 anos, autorizaram a doação dos órgãos do adolescente após a confirmação da morte encefálica decorrente de um acidente de moto. A decisão salvou cinco vidas e emocionou a equipe médica do Hospital Municipal da Vila Industrial, referência em captação de órgãos na região.

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O caso repercutiu nas redes sociais e mobilizou a comunidade. Gustavo sofreu um grave acidente de moto no último domingo de setembro e foi levado em estado crítico ao hospital. Segundo a família, ele estava na garupa da motocicleta e não conduzindo o veículo, como chegou a ser divulgado. A família diz que a moto não era furtada.

“A gente recebeu a ligação no domingo, por volta das 6h da manhã. Falaram que ele tinha sofrido um acidente, mas pra nós ele estava dormindo na casa de uma amiga. Quando chegamos ao hospital, as notícias não foram boas”, relatou a mãe do jovem, emocionada, em entrevista a TV Band Vale.

Durante dias, familiares e amigos se uniram em orações pela recuperação do adolescente. No entanto, após a realização dos protocolos médicos, o diagnóstico de morte cerebral foi confirmado na quarta-feira seguinte. A notícia abalou a família, que, mesmo em luto, decidiu transformar a tragédia em esperança.

“A vontade era pegar meu filho daquela cama e sair correndo com ele. Mas quando veio a confirmação, entendemos que não havia mais o que ser feito. Então decidimos doar. Seria egoísmo da nossa parte não permitir que outras vidas fossem salvas”, disse a mãe.

Na sexta-feira, o hospital promoveu uma homenagem ao jovem. Amigos, familiares e profissionais de saúde formaram um “corredor da vida”, com aplausos e lágrimas durante a despedida de Gustavo, que foi levado ao centro cirúrgico para a retirada dos órgãos.

De acordo com a direção do Hospital Municipal, gerenciado pela SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina), a doação de Gustavo foi simbólica e inspiradora.

“Foi emblemática, porque era um jovem que perdeu a vida, mas proporcionou a continuidade de outras cinco. O hospital trabalha diariamente na conscientização sobre a importância da doação e no apoio às famílias nesse momento difícil”, afirmou o diretor da unidade.

O Brasil tem um dos maiores programas públicos de transplantes do mundo. Apenas neste ano, mais de 19 mil transplantes foram realizados, mas mais de 80 mil pessoas ainda aguardam na fila por um órgão compatível. Em São José dos Campos, 30 captações já foram feitas somente em 2025, entre rins, fígados e córneas.

Desde 2022, o hospital soma mais de 160 doações efetivadas, graças à generosidade de famílias que, como a de Gustavo, decidiram transformar o luto em um ato de amor e esperança.

“A gente ainda fala: eu não queria um filho herói, eu queria meu filho vivo. Mas saber que cinco pessoas tiveram uma segunda chance por causa dele conforta um pouco. Esse é o legado do Gustavo: ele viveu pouco, mas viveu feliz”, finalizou a mãe.

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