A Polícia Civil de São José dos Campos flagrou, na manhã desta quinta-feira (9), o funcionamento de uma fábrica clandestina de cachaça instalada nos fundos de um empório de produtos típicos mineiros, na zona sul da cidade.
A operação foi conduzida por equipes do 4º Distrito Policial, com apoio da Vigilância Sanitária, da Fiscalização de Posturas e da Guarda Civil Municipal.
O responsável pelo local, um homem de 44 anos, foi preso em flagrante pelo crime de falsificação de produto destinado a consumo humano, previsto no artigo 272 do Código Penal. O estabelecimento também foi autuado e interditado por falta de alvará e licenciamento sanitário.
Tonéis.
Durante a inspeção, os policiais encontraram tonéis com líquidos sem identificação, além de vasilhames, tampas, rótulos e insumos de envase e rotulagem.
Segundo a investigação, o material apreendido indicava a produção e engarrafamento irregular de bebidas alcoólicas, com rótulos de duas marcas diferentes de cachaça, o que sugeria tentativa de simular procedência e qualidade para enganar o consumidor.
As equipes registraram imagens de tonéis abertos e expostos ao ambiente, com indícios de contaminação por animais sinantrópicos (como roedores e insetos). Também foi localizado um frasco de dedetização contendo clorpirifós, substância altamente tóxica e incompatível com o processo de fabricação de alimentos e bebidas, segundo o boletim de ocorrência.
Perícia.
A perícia do Instituto de Criminalística foi acionada para realizar a coleta de amostras e análises laboratoriais, para identificar a composição química dos líquidos e a possível presença de metanol, organofosforados ou outros agentes nocivos.
Devido ao grande volume e ao risco de inflamabilidade, os tonéis não foram removidos após a coleta — apenas 11 rótulos foram formalmente apreendidos como parte da prova material.
Prisão e defesa
O investigado optou por permanecer em silêncio durante o interrogatório, assistido por advogado. Com base nas provas e nas imagens coletadas, a autoridade policial ratificou a prisão em flagrante. Não foi concedida fiança, já que o crime de falsificação de produto alimentício prevê pena de 4 a 8 anos de reclusão, além de multa.
As amostras apreendidas seguirão para análise pericial. A Polícia Civil informou que as investigações continuam para apurar possíveis ramificações comerciais e origem dos insumos utilizados na produção clandestina.