Acusado de direção perigosa por ter causado lesões corporais graves no joseense João Henrique Thomaz Ferreira, 25 anos, o policial irlandês Neil Doyle deve se declarar inocente das acusações, o que pode remeter o julgamento para uma instância superiora na Irlanda, com um júri popular.
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Na manhã desta quinta-feira (25), a defesa de Doyle pediu mais prazo para analisar provas e o julgamento foi adiado pela terceira vez no Tribunal Criminal em Dublin, capital da Irlanda.
A informação foi confirmada pela advogada Allana Hughes, que representa João Henrique na Irlanda. O pedido da defesa do policial foi acatado pela juíza Michelle Finan. Agora, o julgamento será retomado em 12 de janeiro de 2026.
OVALE acompanha o julgamento direto da Irlanda, com a repórter correspondente Nathalia Mantovani.
Primeira-dama de São José dos Campos e mãe de João Henrique, Sheila Thomaz disse que a família não vai desistir de continuar lutando pela condenação do policial. Segundo ela, a defesa de Doyle sinalizou que ele deve se declarar inocente das acusações.
“Eles disseram que não conseguiram avaliar toda a documentação, tudo que foi apresentado como prova, porque ele pretende se declarar inocente, então eles têm que preparar a defesa”, afirmou Sheila a OVALE.
O julgamento já havia sido adiado por duas vezes, em 8 de maio e 12 de junho, após o policial não se pronunciar perante o tribunal. Ele terá que se declarar culpado ou inocente para a continuidade do processo.
Desta vez, ao contrário das outras duas sessões, Sheila e João Henrique não acompanharam o julgamento em Dublin. Por indicação médica, João Henrique foi orientado a não viajar para a Irlanda. Ele passou por duas cirurgias recentemente em São José dos Campos e segue em recuperação.
“A gente já tem esse adiantamento por parte dos advogados dele, que ele pretende se declarar inocente. Essa declaração de inocente vai transformar em um julgamento diferenciado, porque ele vai ser mandado para outra instância”, explicou Sheila.
“Teve uma lesão corporal grave, que é uma amputação de membro que o meu filho sofreu. Então, ele vai responder por isso e aí é uma instância mais alta, mais agravada como eles chamam lá. Nessa audiência do dia 12 de janeiro, a juíza já vai determinar qual instância que vai ser colocada. Nessa instância, provavelmente, tenha um júri com 12 pessoas. Nessa instância, ele pode sair condenado a pagar multa e cadeia”, afirmou a primeira-dama de São José.
Sheila disse que ela e João Henrique pretendem acompanhar o julgamento no começo de 2026 em Dublin. “Estaremos lá”.
Júri popular.
Ela acredita que o policial irlandês deve tentar algum tipo de acordo com a promotoria, para poder ter o mínimo de tempo possível de cadeia.
“De repente eles recolham ele por 6 meses, ele consiga algum tipo de prisão diferenciada por ser policial e não cumpra. Eu acho que ele vai tentar nessa linha”, disse ela. “Nós estamos esperando isso, mas para gente ele se declarar inocente é até melhor, porque daí ele vai a julgamento com júri popular, que pode ver as cenas, ver as provas, ver tudo que aconteceu. O carro [do policial] não teve falha mecânica, ele não estava sob efeito de droga, ele não tem como justificar o que ele fez. Então fica mais complicado [para o policial]”, completou.
Segundo ela, a imagem de João Henrique com a perna amputada é uma prova que “não tem como negar” da responsabilidade do policial
“Para a gente é até melhor que ele esteja fazendo isso, embora ele está conseguindo mais prazo. Mas para a acusação, para nós, é muito melhor, Então, a gente vê com bons olhos que ele vá a julgamento popular. Eu acho que vai ser muito pior para ele”, avaliou a primeira-dama.
Ela garantiu que continuará fazendo pressão para que a justiça irlandesa “entenda que é uma coisa séria”.
“E eu tenho que acreditar. A gente tem que imaginar que a justiça seja séria, embora nem tanto, mas seja séria para fazer algo que ele pague. Tem que criar jurisprudência para que os próximos não sofram o que o meu filho está sofrendo. Então, vamos brigar até o fim”, destacou Sheila.