O novo Infosiga 3.0 do governo estadual terá dados inéditos sobre acidentes de trânsito, com informações sobre veículos, condutores e custos estimados dos sinistros.
A previsão é que as novas ferramentas da plataforma comecem a funcionar nessa quinta-feira (18), após atualização do sistema de estatísticas viárias do Detran-SP.
O novo sistema foi apresentado na tarde dessa terça-feira (16), em São Paulo, na sede do Detran- SP, por meio de um curso para jornalistas, do qual OVALE foi um dos participantes. A iniciativa é feita em parceria com a Bloomberg.
Segundo o Estado, as mudanças reforçam a estratégia de enfrentar a violência no trânsito com base em dados e evidências: em 2024, foram registrados 135.545 sinistros, que custaram mais de R$ 14 bilhões aos cofres públicos, além do valor inestimável da perda de vidas.
Com os avanços, o Infosiga 3.0 traz novas análises e recursos inéditos para apoiar gestores municipais, pesquisadores, imprensa e sociedade na construção de um trânsito mais seguro.
“Experiências internacionais mostram que decisões baseadas em evidências salvam vidas no trânsito. O Infosiga 3.0 coloca São Paulo na vanguarda ao oferecer dados de qualidade que podem orientar políticas públicas mais eficazes e reduzir mortes e lesões”, afirmou Mariana Novaski, coordenadora de Dados e Vigilância da Iniciativa Bloomberg para a Segurança Viária.
“O Detran-SP tem a missão de transformar dados em políticas que salvam vidas. O Infosiga 3.0 é mais do que uma atualização tecnológica: é uma ferramenta estratégica para orientar investimentos e mostrar à sociedade que cada morte no trânsito pode e deve ser evitada. Mais transparência e mais informação significam mais responsabilidade e melhores condições de enfrentar o cenário atual”, disse Roberta Mantovani, diretora de Segurança Viária do Detran-SP.
Painel Municipal.
Uma das principais mudanças desta versão é o Painel Municipal, que reúne informações específicas das 645 cidades paulistas. Pela primeira vez, será possível acessar um ranking das dez vias com maior número de sinistros em cada localidade e o custo estimado das ocorrências nos últimos 12 meses, calculado com base na metodologia do Ipea.
O painel ainda exibe um mapa de calor com os principais pontos de risco, além de dados de população, frota e número de sinistros. A seção também apresenta um texto gerado por inteligência artificial, que resume os destaques do período e permite a criação de boletins personalizados para subsídio ao trabalho técnico das gestões municipais e para a imprensa local.
Outra novidade é a seção Custos Estimados, que detalha o impacto financeiro dos sinistros por tipo de via - municipais ou rodovias - e por gravidade, fatal ou não fatal. O levantamento mostra que, embora os sinistros em rodovias sejam mais caros individualmente, é no ambiente urbano que se concentra a maior parte dos custos, totalizando R$ 7,7 bilhões em 2024. A aba Dados Abertos e Documentos chega com um dicionário, uma relação de perguntas frequentes e uma biblioteca para pesquisas em estudos exclusivos.
Condutores e veículos.
O Infosiga 3.0 também inaugura a seção Condutores e Veículos, que cruza os dados de sinistros com as bases do Detran-SP para identificar o perfil dos condutores e dos veículos envolvidos.
É possível verificar, por exemplo, o alto volume de motociclistas com histórico de infrações que colocam em risco a segurança de todos — como excesso de velocidade, uso de celular e avanço no sinal vermelho — que se envolveram em sinistros de trânsito. A seção mostra ainda o perfil dos motoristas reincidentes, dos condutores suspensos e a idade dos veículos envolvidos nos sinistros, com possibilidade de filtros por região administrativa.
Além dos novos conteúdos, a plataforma passou por um refinamento geral para facilitar a navegação e ampliar o acesso aos dados. Agora é possível gerar relatórios em PDF e imprimir os dados diretamente da página, além de contar com tradução para inglês e espanhol, ajustes de tamanho do texto e versão em Libras.
A base de dados do Infosiga reúne informações sobre mortes no trânsito desde 2015 e, a partir de 2019, também inclui registros de sinistros não fatais. A reformulação é fruto de uma parceria entre o Detran-SP, a Iniciativa Bloomberg para a Segurança Viária, a Prodesp e a consultoria Tech Solutions.