FLIM EM XEQUE

Sob acusação de 'censura', Flim teme debandada após veto a Milly

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução

Sob acusação de "censura", a Flim (Festa Litero Musical) teme uma debandada de artistas e convidados após a jornalista e escritora Milly Lacombe ter sido vetada pela Prefeitura de São José dos Campos. Nesta quarta-feira (17), uma reunião de emergência será realizada pela organização.

O temor na Flim, de acordo com apuração de OVALE, é de uma desistência em massa. O caso envolvendo Milly ganhou repercussão nacional.

Após o veto, a crise se aprofundou na noite de terça-feira (16), com a renúncia das curadoras da Flim -- Bianca Mantovani, Alice Penna e Costa e Tania Rivitti, além da assistente de curadoria Bruna Fernanda. Elas afirmaram que o veto do prefeito Anderson Farias (PSD) à presença de Milly foi um "ato de censura".

“Após termos nos dedicado por um ano à pesquisa, leitura e reuniões com um mergulho no tema ‘Eu sou porque nós somos’, fomos surpreendidas com a censura à presença de uma de nossas convidadas para a mesa de abertura”, escreveram em nota.

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Na sequência, o escritor e jornalista Xico Sá anunciou que não participará mais da programação, em protesto contra o que classificou como censura da Prefeitura de São José. Ele dividiria a mesa de abertura com Milly e o escritor Luiz Silva, o Cuti.

“Deixo aqui todo apoio e solidariedade à jornalista Milly Lacombe, censurada e silenciada politicamente pela Prefeitura de São José dos Campos. Como convidado do mesmo evento cultural, comunico, em protesto, o cancelamento da minha participação”, escreveu Xico Sá nas redes sociais.

A escritora Maria Carolina Casati também confirmou sua desistência. Micheliny Verunschk também anunciou o cancelamento de sua participação.

"A intolerância é sempre estarrecedora. e a censura é a arma da ignorância. diante do cancelamento da participação de Milly Lacombe na Flim 2025,  em São José dos Campos, em um episódio lamentável de cerceamento da liberdade de expressão, informo que cancelo a minha participação no evento. toda solidariedade a Milly Lacombe e à equipe curatorial formada por Alice Penna e Costa, Tânia Rivitti, Bruna Fernanda e Bia Mantovani", postou Micheliny.

O veto à jornalista

Milly Lacombe participaria da mesa de abertura da Flim no dia 19 de setembro, ao lado de Xico Sá e Cuti. O convite foi cancelado após a repercussão de uma fala em que ela critica a “família tradicional, branca e conservadora”, associando-a ao fascismo.

O prefeito Anderson justificou a decisão afirmando que a cultura “não será usada como palanque político-ideológico” e lembrou que já vetou a cantora Maria Gadú em situação semelhante.

“Quero ser claro: a apresentação da ativista Milly Lacombe em São José foi cancelada. Cultura deve unir, não dividir. Nossos espaços não serão usados como palanque contra a família e valores da cidade. Já fiz isso no passado, quando cancelei o cachê da Maria Gadu por ter pedido voto para um candidato à presidência da República num evento público, pago com verba pública, realizado num parque público. E farei isso quantas vezes forem necessárias. A cultura em São José não é e nunca será palco político-ideológico”, afirmou Anderson, em post nas redes sociais.

A AFAC (Associação para o Fomento da Arte e da Cultura), que organiza a Flim, confirmou o cancelamento da participação de Milly, alegando que a decisão foi tomada “em comum acordo com a convidada” para preservar a integridade de todos os envolvidos.

O que diz Milly

A jornalista classificou a decisão como censura e disse ter passado a temer por sua segurança após ataques da extrema direita. “Passou a ser um risco à minha segurança”, afirmou.

Em vídeo, Milly defendeu uma visão ampliada de família: “Família como lugar de amor e respeito por todas as dissidências. Luto por um mundo em que a família seja um lugar sem hierarquias, sem papéis de gênero e sem relações de poder.”

Com curadores e convidados deixando a programação, a 11ª edição da Flim, marcada para os dias 19 a 21 de setembro no Parque Vicentina Aranha, corre risco de esvaziamento. O evento é financiado pela Prefeitura de São José dos Campos e é considerado o maior festival literomusical do Vale do Paraíba.

Comentários

1 Comentários

  • Raquel A Barbosa 17/09/2025
    Bom, a impressão que se tem é que a Feira Litero Musical seria mesmo usada para afirmação ou reafirmação ideológica. Do contrário não haveria necessidade das curadoras e nem Xico Sá saírem do Projeto desse ano. ML é controversa em todas as suas postagens, mas o momento não é de fomento a violência. Estamos passando por um período turbulento em que é necessário um pouco de inteligência emocional e não confronto para resolução de problemas. Agora essa de fora de contexto é uma desculpa duvidosa. Os participantes e convidados parece que esqueceram que o público é o \"alvo\" do evento.