A Polícia Civil abriu investigação para apurar se uma agulha encontrada no organismo de Alice Maria da Conceição Romão, de 91 anos, provocou a morte da idosa, em São José dos Campos. O caso, registrado em boletim de ocorrência, levanta suspeita de negligência médica após uma sequência de atendimentos na rede pública de saúde.
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Segundo relatos de familiares à polícia, a paciente foi internada no dia 7 de setembro por complicações de saúde e recebeu alta dias depois, com recomendação para continuar o tratamento com injeções aplicadas em casa. No dia 12, durante atendimento domiciliar, a enfermeira constatou pressão arterial extremamente baixa (5x4) e acionou o resgate, que levou a idosa para a UPA do Putim.
Na unidade, a acompanhante foi retirada da sala de atendimento e informada posteriormente sobre a transferência para o Hospital de Retaguarda, no Jardim Satélite. Já no hospital, profissionais de enfermagem teriam identificado a presença de um corpo estranho no organismo da paciente — possivelmente uma agulha que, segundo os relatos, teria migrado até o coração.
O estado clínico da idosa piorou, e ela morreu na madrugada desta terça-feira (16). A família registrou boletim de ocorrência e pediu exame necroscópico no IML para esclarecer a causa da morte.
A investigação policial deve apurar três pontos: a existência e origem da suposta agulha no corpo da idosa; se houve relação entre o corpo estranho e o óbito; e como foi o fluxo de atendimentos, incluindo alta hospitalar, aplicação domiciliar de medicamentos, atendimento na UPA e no Hospital de Retaguarda.
Saúde.
A reportagem procurou a Prefeitura de São José dos Campos para falar sobre o caso. Segue a nota na íntegra. "A Prefeitura de São José dos Campos lamenta profundamente o falecimento da paciente e se solidariza com a família neste momento de dor. A paciente, de 91 anos, que estava em cuidados paliativos e apresentava comorbidades, recebeu toda a assistência da rede de saúde do município, por meio do Hospital Municipal, do Hospital de Retaguarda, da UPA do Putim e também pelo serviço de enfermagem do PHD (Programa Hospital Domiciliar). A Prefeitura, por meio da Secretaria de Saúde, fará uma investigação interna para apurar os fatos relatados pela família e irá colaborar com as investigações. Reforçamos que, em respeito à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), não divulgamos informações detalhadas sobre pacientes a terceiros."